09 outubro 2009

Pressentimento materno

Há sete meses, diariamente beijo a foto do meu filho. A última vez que o vi foi no dia 1 de junho de 1944. Subia a rampa de embarque do General Mann, ancorado no reflexo do Pão de Açúcar. Acenou com a mão direita enquanto a esquerda segurava um saco com coturnos, agasalhos e outro uniforme verde oliva. Faz tempo que não recebo uma carta. Aperto no peito este envelope com o timbre do exército. As dele, não tinham timbre. Não quero abrir, quero ficar com a esperança.

4 comentários:

Klotz disse...

Comentários ao texto no Bar do escritor, comunidade do Orkut

Radyr Gonçalves - lindo isso.

Henrique Bom - Aqui, em um cantinho sombreado do Jardim de Luxembourg, deparei ontem com um discreto monumento, no qual se demarcava o exato local em que, em 10 de agosto de 1944, sete jovens membros da resistência foram fuzilados.
A tragédia humana em seu curso...
Belo texto (como sempre), Klotz.

Janaina Araújo - Belo texto, sim.

Rosangela Aliberti - (...) Acaricio este envelope com o timbre do exército. (...)
Uma certa melancolia bateu após a leitura (sinal que fora bem escrito).

Klotz disse...

Radyr Gonçalves – Obrigado.
Henrique Bon – Eu já não sou novinho e considero distante a segunda grande guerra. Quanto mais às outras gerações que nos sucedem. Gosto de criar episódios verossímeis e prováveis.
Janaína Araújo – Bela é você! Beijo. Obrigado pela leitura.
Rosangela Aliberti – Obrigado, Ro. O seu destaque foi ótimo. Entendi como elogio. Entretanto percebi, graças ao seu comentário, que pode ser melhorado. Precisa de mais drama.
“Acaricio este envelope com o timbre do exército.” Mudei no original para: Aperto no peito este envelope com o timbre do exército.

Klotz disse...

Robertón Hefler– você que faz a diferença entre ser gentil e ser muito gentil.

Jarbas Siebiger– Leia em preto e branco , mas receba o meu abraço em cores.

Reginaldo Santos– "Não permita Deus que eu morra sem que volte para lá" – De estremecer a sua lembrança no verso de Oswald de Andrade, que embasou a canção do Expedicionário do Exército Brasileiro.

Angela Oiticica–- cheguei a perceber o seu sotaque alagoano.

Ana Sisdelli – Maravilha. Você se arrepia de lá e eu me arrepio de cá. Gracias, besos también.

Alan Nery – obrigado Alan. No meu blogue para ficar mais bonito colei imagem do navio ancorado na baía da Guanabara e outra do pessoal subindo a rampa de embarque carregando os sacos com mudas de uniforme.

Calaça – Fodaço é o seu depoimento espontâneo!

Henrique Bon – Obrigado Henrique não é um baaaaaita texto assim. Só tem meia dúzia de linhas.

Celia e Jairo – Agradecemos.


Cristiano Deveras] – O tema da segunda guerra me seduz. Escrevi pouquíssimo à respeito: me consome.

Leonardo - Spoke – Você chora, Léo. Eu choro. O texto chora. A mãe se desespera.

Olivia Maia disse...

Ebaaaaa! os "desafios" estão redendo belissímos frutos . Faltei esse (rs) Parabéns, menino. Ótimo.
Abraços. Olivia Maia

 
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