
Tenho lido algumas revistas e artigos de auto-ajuda. E li algo parecido com o provérbio que diz: “Se Deus lhe der um limão faça um limonada”. Agora que estréio pisante novo, branquinho, fico mais preocupado ainda em não batizá-lo com cores marrons. Dizem que marrom dá azar. Pura superstição. Mas, voltando ao provérbio e o mal que me aflige nas manhãs caminhantes, imagino que fazer limonada de titica de cachorro não é exatamente a proposta do provérbio. Nos livros de auto-ajuda os exemplos e os resultados sempre são imediatos e de facílima aplicação. Está difícil imaginar-me fazendo limonada tão insólita.
Nem sei se os livros de auto-ajuda estão preparados para ensinar seus dogmas aos caminhantes. Dizem que para estimular a estima e confiança devemos caminhar com o olhar acima da linha do horizonte. Olhar para baixo deprime. Em São Paulo, com aquele monte de edifícios, todos ficarão com torcicolo. E tem mais, se eu olhar para cima enquanto bato pernas, como fazer para desviar das lembranças caninas? Meu estimado tênis vai ficar deprimido e sujo.
Se Deus lhe der um limão faça uma limonada. O que é que isso tem a ver com as fezes caninas? Não foi o Todo Poderoso que as espalhou calçadas afora. Se tivesse sido teria realizado um trabalho perfeito. Não teríamos como escapar. A cada passo estaríamos xingando e blasfemando. O Divino não iria provocar a ira dos homens contra sua Pessoa.
Acredito que o provérbio sugira que devo pegar o cocô, literariamente é claro, e transformá-lo em algo agradável e que, ao invés de provocar aborrecimentos traga alegria.Paro em frente à primeira marca canina e observo a longa calçada. O desenho do cimentado é curioso, lembra um longo jogo de amarelinha. Um pé, depois dois pés, um pé novamente, depois dois pés, seguindo até onde o olhar alcança. Abro um largo sorriso, vou tomar a minha limonada, recolho o pé esquerdo, imitando saci pererê, e salto de amarelinha evitando os quadrados já ocupados.
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