
Darwin observara que o arquipélago isolado era um laboratório fantástico. O mesmo passarinho se desenvolvera de forma diferente em cada ilha em função dos predadores naturais e da alimentação disponível. Já o professor do nosso personagem dizia que em um lugar as cotovias eram brancas noutro eram amarelas. O bico era maior em algumas ilhas do que em outras. E que não havia uma única cotovia na ilha habitada por gatos selvagens, pois evoluíram para uma espécie de pit bull.
No escaler, a caminho do ancoradouro, lembrava as aulas animadas em que o mestre explicava como as tartarugas gigantes de Darwin subiram nas árvores, transformaram-se em macacos, evoluíram, desceram e passaram a se alimentar em restaurantes.
No mesmo instante em que chegava ao cais, encostava um barco pesqueiro com artefatos estranhos. Eram bombas remanescentes da Segunda Guerra. Os ilhéus as desembarcaram transportando-as como se fossem brinquedos inofensivos. O inglês identificou o perigo apontando a parte de trás com a placa metálica onde se lia “10 megatons, made in USA”.
Os pescadores evoluídos tranqüilizaram-no num inglês britânico, digno de doutor da universidade de Cambridge, que aquelas bombas estavam enterradas no mínimo há 60 anos em solo Galapagalês, um ambiente diferente daquele de onde haviam sido fabricadas, portanto se modificaram com o tempo.
O inglês se apavorou imaginando que ao invés das 10 megatons a bomba poderia evoluído para uma bomba atômica.
Atabalhoadamente puxou um revólver e mandou que pousassem a bomba suavemente no chão. No mesmo instante um dos pescadores puxou de uma faca e os outros deixaram a bomba cair. Pacífico, o pescador mostrou a faca: era uma faca cega e sem ponta. Disse que a ilha era de paz, que ali ninguém ameaçava ninguém, que as facas evoluíram, que não precisavam cortar nem furar. O inglês guardou a arma.
Com calma, o pescador, começou a cutucar o detonador e nada aconteceu. Virou a faca e, com o cabo, martelou o detonador.
O inglês, desesperado, começou a se afastar de costas sem tirar o olho da bomba enquanto o marujo martelava.
Tanto bateu que a bomba explodiu num enorme festival de fogos de artifício.
No céu formou-se a palavra “peace”.
Este conto também não foi publicado no Estadão, Globo, Folha, Zero Hora, Estado de Minas ou Correio Braziliense. Nem em lugar algum. Pudera! Só agora estou colocando à disposição.
O texto da próxima semana poderá estar. Basta me contratar para escrever um conto semanal como este que é resultante de notícia publicada nesta semana no Correio Braziliense.
Os textos limitados entre 2958 e 2997 caracteres estarão no blog todas as quartas-feiras antes da 18h.
Um comentário:
Tenho vontade de conhecer Galápagos... belo texto, o final ficou especialmente marcante.
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