
Muitos médicos escolhem a especialidade em decorrência da própria vivência. É natural que alguém com inúmeros casos de câncer na família escolha ser oncólogo. Um moleque vivia engessado de tanto osso quebrado estudou e especializou-se ortopedista. Zig sempre era surrado pelos irmãos por isso mandou escrever na placa: entre sem bater.
A primeira paciente do psicanalista foi uma moça lindíssima que afirmou ter ojeriza a ratos e camundongos. O doutor apontou o divã e iniciou uma palestra sobre os malefícios, doenças, peste e raiva transmitidas pelos roedores. Por tudo isso, o medo era muito natural. Nos casos extremos de pavor a doença recebia o nome de surifobia. Após o discurso perguntou sobre a origem do problema. Perguntou se ela foi mordida por um rato quando criança.
A moça revelou que amava o hamster de estimação. O problema era com Mickey Mouse e colegas. Odiava Jerry tanto quanto o Tom. Considerava nojento um rato cozinheiro, como o Remy, de Ratatouille. Os amiguinhos de Cinderela, Bernardo e Bianca eram insuportáveis. Níquel Náusea era intragavelmente ácido. E que o mexicano Ligeirinho como seu "arriba, arriba" era repetitivo.
Dr. Zig, intempestivamente determinou que a paciente deveria liberar os gatos como Frajola, Manda-chuva, Garfield e Felix. Abriu a porta encerrando a sessão.
O paciente seguinte, um adolescente com uma enorme franja nos olhos, disse que tinha fobia a Justin Bieber, Luan Santana, Fiuk e Rick Martin. O psicanalista levantou a franja do meninão, olhou-o nos olhos.
— Seu problema é a inveja. Em seguida pediu para a secretária encaminhar outro paciente.
Entrou um sujeito manco, engruvinhado na timidez.
— Qual seu problema?
— Tenho pavor a sapatos pretos. Sou obrigado a usá-los. Fazem parte do meu uniforme.
— Compre sapatos dois números acima. Próximo.
— Doutor, não consigo pegar em dinheiro.
— Esse medo recebe o nome de misofobia. Medo de germes ambientais. O multimilionário Howard Huges sofria terrivelmente com a enfermidade. Tanto ele quanto Michael Jackson usavam luvas para se proteger do medo de tocar em dinheiro contaminado.
— Meu problema é outro. É que o dinheiro nunca chega às minhas mãos. Me arruma algum?
— Oras, não me amole. Vá trabalhar! Próximo.
— Doutor Froide?
— Sim. Qual o seu problema?
— Tenho medo de psicanalistas.
Apontou o revólver e atirou. Perguntou pelo próximo.
Outro conto inspirado em uma notícia do Correio Braziliense desta semana. A publicação no blog é sempre às quartas-feiras antes das 18 horas. Como numa coluna de jornal, o tamanho é fixo entre 2957 e 2997 caracteres.
Nenhum comentário:
Postar um comentário