Terça é o grande dia! Hora de provar as deliciosas crônicas culinárias Pepino e farofa.
3 de março, a partir das 18h no Carpe Diem, 104 Sul.
A noite contará com a pessoa mais importante do universo: você.
O autor, Roberto Klotz, recebeu diversos telegramas onde famosos não disseram:
Neil Armstrong–Umpequenolivropara o homem, umgrandelivropara a humanidade.
Dorival Caymmi – Quemnãogosta de Pepino e farofa, bomsujeitonão é. É ruim da cabeçaoutotalmente lelé.
Jânio Quadros – Li-lo porque qui-lo.
Esfinge – Leia Pepino e farofaoute devoro.
O agente de divulgação trabalhou tão bem, que sumiu até com a máquina de passar cartões.
Leve um arcaico talão de cheques ou dim-dim.
No blog há informações para aquisição via postal.
Por enquanto a venda de Pepino e farofa será direta, do autor para o leitor.
O livro custa R$ 28,00 para entregas no Plano Piloto em Brasília.
Para todos os outros lugares do Brasil, com a postagem, custa R$ 30,50
2 exemplares na mesma remessa saem por R$ 59,80
3 exemplares na mesma remessa saem por R$ 89,40
Para saber quem efetuou os depósitos acrescentarei alguns centavos identificando o número do pedido.
Faça seu pedido através do e-mail r-klotz@uol.com.br, fornecendo a quantidade desejada, o endereço para a entrega e nome para a dedicatória, se desejar.
Darei o retorno informando o valor exato e fornecendo conta corrente do BB para crédito bancário.
Na terça, 3 de março, o restaurante Carpe Diem lançará: Pepino e farofa.
O autor do livro, Roberto Klotz informa que todas as crônicas culinárias do livro Pepino e farofa foram testadas na sua cozinha experimental. Nem sempre aprovadas.
Para agitar a noite do lançamento, convidou estrelas do jet set internacional. Fidel Castro fará breve discurso com as qualidades do livro. Andy Warhol apresentará seu mais novo quadro: a sopa de Pepino e farofa. Amy Winehouse e Maradona, apressados, virão na carreira. Todos confirmados. Tanto que já desembolsou passagens e estadias para o agente da divulgação.
Por enquanto a venda de Pepino e farofa será direta, do autor para o leitor.
O livro custa R$ 28,00 para entregas no Plano Piloto em Brasília.
Para todos os outros lugares do Brasil, com a postagem, custa R$ 30,50
2 exemplares na mesma remessa saem por R$ 59,80
3 exemplares na mesma remessa saem por R$ 89,40
Para saber quem efetuou os depósitos acrescentarei alguns centavos identificando o número do pedido.
Faça seu pedido através do e-mail r-klotz@uol.com.br, fornecendo a quantidade desejada, o endereço para a entrega e nome para a dedicatória, se desejar.
Retornarei informando o valor exato e fornecendo conta corrente do BB para crédito bancário.
No dia 3 de março o Carpe Diem oferecerá um cardápio inusitado: Pepino e farofa.
Pepino e farofa é um livro de crônicas culinárias resultante da inexperiência de 50 anos no comando de um fogão.O bem humorado autor, Roberto Klotz, agendou aviões para cruzar os céus de Brasília com faixas convite para o lançamento. Reservou o Píer 21 para Gisele Bündchen desfilar trajando uma sumária capa do livro. Comprometeu trios elétricos para Ivete Sangalo cantar a música composta especialmente para o livro. O agente literário sumiu com a grana e só restou convidar por e-mail.
Por enquanto a venda de Pepino e farofa será direta, do autor para o leitor. O livro custa R$ 28,00 para entregas no Plano Piloto em Brasília. Para todos os outros lugares do Brasil, com a postagem, custa R$ 30,50 2 exemplares na mesma remessa saem por R$ 59,80 3 exemplares na mesma remessa saem por R$ 89,40 Para saber quem efetuou os depósitos acrescentarei alguns centavos identificando o número do pedido. Faça seu pedido através do e-mail r-klotz@uol.com.br, fornecendo a quantidade desejada, o endereço para a entrega e nome para a dedicatória, se desejar. Retornarei informando o valor exato e fornecendo conta corrente do BB para crédito bancário
Participei de um desafio onde devia, semanalmente, produzir um texto com tema definido. Coube-me escrever sobre as circunstâncias que levaram Claus Schenk von Stauffenberg, em Berlin no dia 19 de julho de 1944, a prever as conseqüências para a permanência de Hitler no poder e que o fizeram aceitar a missão que executaria no dia seguinte.
Nos cinemas de todo o mundo Tom Cruise interpreta Claus Schenk von Stauffenberg, oficial alemão que colocou uma bomba aos pés do Führer no maior atentado contra o ditador. Em 2007, escrevi como teria sido o dia do oficial alemão na véspera do famoso atentado.
(conto escolhido)
Valquíria
Era a noite do dia 19 de julho de 1944. Em Berlim, no seu alojamento solitário, o coronel alemão Claus Schenk von Stauffenberg repassava informações e o plano para colocar uma bomba no bunker de Adolph Hitler no dia seguinte.
Von Stauffenberg caminhava nervosamente de um canto ao outro do quarto e revivia a angústia da reunião de dissidentes do alto comando ocorrida há vinte dias. Naquela tarde ficara claro para todos os oficiais que a partir da invasão da Normandia, o Dia D, a guerra estava perdida. Seria apenas uma questão de tempo para que a Alemanha fosse arrasada e humilhada. Os aliados, entre si, acertaram, no tratado de Teerã, que só interessava a rendição incondicional da Alemanha nazista. Desta forma não havia nenhuma possibilidade de acordo de paz em separado. Mas, para evitar que a Alemanha fosse invadida e subjugada pelos bárbaros russos, seria necessário um pacto com os americanos e ingleses. A solução seria a eliminação do Führer e a neutralização da poderosaSS. O grupo resolveu se opor justamente ao lema da SS – Schutzstaffel[1]– “Minha honra é a lealdade”.
Von Staffenberg pegara sua caderneta e relera as palavras do General Ludwig Beck "A obediência de um soldado encontra seus limites onde seu conhecimento, sua consciência e sua responsabilidade proíbem-no de obedecer ordens" O coronel alemão sabia que estas palavras, se lidas por alguém da SS, significariam a própria morte. Deu um sorriso de leve e questionou qual seria a sua condenação após o atentado. Achou que não precisava se preocupar com anotações e concentrou pensamentos na ação.
A decisão está tomada. Amanhã, bem cedo, pego o avião e pouso por volta das dez horas em Rastenburg. O motorista estará me esperando para percorrer os seis quilômetros de poeira até a Toca do Lobo[2].
A reunião do alto comando está prevista para meio-dia.Às onze e meia faço um lanche rápido junto com meu ajudante de ordens, tenente von Häften, confirmo o horário da reunião, peço licença para trocar a camisa empoeirada com a ajuda de von Häften. Todos sabem que preciso de ajuda desde que perdi meu braço direito e ainda dois dedos da mão esquerda. Von Häften engatilhará as duas bombas quebrando a cápsula de ácido que dissolve o fio que retém a bomba. O petardo explodirá ente dez e vinte minutos depois. Terei apenas cinco minutos para posicionar a valise sob a mesa e sair. Não há como desarmá-las. Estarei na sala de reuniões e von Häften me chamará para atender um telefonema urgente. Sairemos juntos, passaremos pelo alojamento e pegaremos o carro para ir até a pista de Wilhelmsdorf, de onde voarei para Berlim para ir ao Ministério da Guerra participar do levante contra o governo. Estará realizada a operação Valquíria[3].
Já se passaram dois anos, quando eu estava com Rommel no norte da África ouvindo as últimas notícias vindas da Alemanha. Eu pouco conhecia o glorioso marechal-de-campo Erwin Rommel, a Raposa do Deserto,
“Hoje a polícia prendeu o judeu Davi Stern que convidou crianças a lamber chocolate numa chapa de ferro congelada. As crianças foram atraídas pelo doce e numa armadilha infernal ficaram grudadas pela língua molhada. Essas três inocentes crianças foram mutiladas gratuitamente por um ser desprezível que gargalhava de prazer ao ouvir os gritos do desespero infantil.”
– Schweinehund! – porco imundo – berrou Rommel desligando o rádio. – Maldito Heydrich! É insuportável esta maldita e mentirosa propaganda anti-semita. Este cachorro safado vive criando falsas histórias para colocar os alemães e o mundo contra os judeus.
Fiquei nervoso e balançei a cabeça negativamente, Rommel em vez de ficar chocado com a crueldade do judeu, xingara o número dois da SS. Rommel, um homem frio e calculista, externara sua opinião para mim, um quase desconhecido, e, percebendo meus olhos arregalados, resolveu argumentar para fundamentar sua opinião.
– Sabe Claus, eu acreditei e lutei pela nossa Alemanha durante todo este tempo até que descobri que Goebbels, nosso ilustre ministro da propaganda, que vive alardeando grandes vitórias e conquistas, é um grande mentiroso. Minhas vitórias no deserto, de acordo com a língua de Goebbels, foram estrondosas, foram épicas! Passei a ser um herói imbatível e um orgulho para a raça ariana, quando na verdade eu dispunha apenas de equipamento melhor, e, modéstia à parte, um pouco de esperteza. Goebbels exaltava os alemães enquanto a verdadeira função de Heydrich, no serviço secreto, era criar boatos para desestabilizar os inimigos e fazer o mundo acreditar que os judeus eram o demônio na face da terra.
– Mas está provado cientificamente, meu comandante, que somos uma raça superior...
– Haha! Os cientistas foram contratados pelo Führer. Você ainda se lembra da Noite dos Cristais?
– Como alguém pode se esquecer daquele inverno de 38?
– Aposto que você ficou chocado quando aquele moleque judeu assassinou com requintes de crueldade nosso diplomata, não é mesmo?
– Eu e toda a Alemanha.
– O judeu nunca existiu. Foi a SS que eliminou um idiota incompetente, botou a culpa no judeu, depois colocou um monte de militares à paisana para empurrar a população incentivada pelo rádio. O resultado foi uma centena de judeus mortos, dúzias de sinagogas queimadas e a depredação do comércio judeu em toda Alemanha. – Rommel exibiu um sorriso irônico e continuou – O vidro quebrado das vitrines serviu apenas para criar um nome poético: Noite dos Cristais. – Das war der Anfang, mein Freund. – este foi o começo, meu amigo.
– Eu estou pasmo, meu marechal. Mas como o senhor me explica aquele discurso do Goebbels no ano passado, lá no Palácio dos Esportes? Goebbels perguntou para o povo se queriam a guerra total e catorze mil vozes animadas disseram sim e depois repetiram que sim.
– Mentiras! O discurso foi uma encenação gravada para transmissão por rádio e para os cinemas. Depois da derrota em Stalingrado, a intenção era entusiasmar os ouvintes e principalmente recuperar o moral dos soldados nas frentes de batalha, por isso, Goebbels referiu-se ao apoio da platéia presente, com uma centena de vaquinhas amestradas infiltradas – ressaltou – como sendo uma amostra da sociedade em seu todo. Todos ficaram empolgados por conta de uma farsa, de uma mentira. Todos mentem, todos mentem. O discurso foi gravado durante a semana e no estádio só houve encenação, teatro. – Alle lügen –Todos mentem.
Naquele fim de tarde meus olhos foram arregaçados para alguma coisa que eu jáenxergara e em que não ousara crer. Em pouco tempo descobri que havia outros oficiais descontentes com a condução do governo da nossa Alemanha.
Jamais passou pela minha cabeça o assassinato do Führer. Jamais passou pela minha cabeça que eu seria o assassino do Führer. No mundo ninguém tem noção do que está acontecendo, nem os alemães, nem os nossos inimigos. A solução deve vir por aqueles que sabem. Pelos meus filhos e pelo futuro da Alemanha, estamos certos. Farei o que deve ser feito.
Já são quase dez horas da noite, toda a Alemanha canta junto com Marlene Dietrich a bela canção “Lili Marlene” antes do encerramento das transmissões radiofônicas.
Von Stauffenberg abre sua caderneta e com um lápis anota:
Fizemos o exame de consciência diante de Deus e a ação deve se realizar, pois este homem é a encarnação do mal. Queremos uma nova ordem, que faça todos os alemães portadores do Estado e que lhes garanta Direito e Justiça. Se tiver sucesso, serei considerado traidor de minha pátria; se falhar, me considerarei traidor de minha própria consciência.
As luzes do quartel são apagadas.
[1] A Schutzstaffel – escudo de proteção – ou SS, foi uma organização paramilitar ligada ao partido nazista
[2] Toca do Lobo – Wolfschanze – o QG de Hitler em Rastenburg, na Prússia Oriental.
[3] A Valquíria, é o título da ópera de Richard Wagner - segunda parte da tetralogia “O Anel do Nibelungo”.
O desfecho do atentado
A reunião foi transferida na última hora do bunker para um barraco de madeira. O bunker por ser de concreto armado teria os efeitos da bomba multiplicados.
A reunião também foi antecipada em meia hora assim, o mutilado von Stauffenberg conseguiu ativar apenas um dos dois explosivos previstos.
A bomba colocada sob a mesa, a meio metro de Hitler, foi afastada por um general que ficou incomodado com a presença da maleta.
A explosão matou quatro e feriu outras onze pessoas, mas não foi o suficiente para matar o ditador.
Von Stauffenberg foi preso e executado no dia seguinte.
Hitler ordenou vingança implacável a Himmler, chefe da SS. Consequentemente foram mortos quase 5.000 pessoas.
O herói Rommel foi convidado a se suicidar. O atentado foi previsto por Nostradamus.
Tom Cruise interpreta o alemão nas telas do cinema em filme homônimo a este conto.
Exercício proposto pelo Prof. Marco Antunes na oficina literária da Câmara dos Deputados: Conte-nos como, onde e quem matou Adelaide Santoro numa história de suspense que não pode ter mais que dez linhas.
Era tarde, por volta das oito horas da noite. Antes de sair tranquei os arquivos e levei um café para a doutora Adelaide Santoro. Ela estava pálida, estranha. Perguntei se ela estava bem. Agitada, estalava os dedos e olhou duas vezes para o enorme relógio da parede. Jamais tive liberdades com a doutora, mesmo assim ainda perguntei se ela queria desabafar comigo. Respondeu-me que não, que eu poderia ir embora e que já havia chamado um táxi para levá-la para casa. Todos nós, do escritório, sabíamos que o doutor Santoro guardava um revólver na gaveta direita da escrivaninha. Tenho certeza que não havia mais ninguém nas salas. Todos já haviam saído. Juro que não fui eu quem matou a Doutora Adelaide Santoro.
Uma imagem vale mais que cem palavras? Este foi o exercício proposto na oficina literária da Câmara dos Deputados Descrever a imagem, não o seu conteúdo, em exatas cem palavras. Tempo 15 minutos. Do lado esquerdo há um bebedouro metálico. Embutidos um filtro e uma serpentina para gelar a água. O usuário tem um botão para acionar o esguicho. Do lado direito, outro bebedouro. Este em porcelana branca. Ambos são alimentados pela mesma água. Um tem a tubulação escondida enquanto o outro tem a tubulação oxidada aparente. No de louça há um homem de calça escura, camisa branca e chapéu. A imagem remete aos anos 50 nos Estados Unidos. Não pelos bebedouros, nem pelo chapéu do homem sedento. E sim, pelas placas sobre os bebedouros: na direita lê-se colored e na esquerda white.
* A fotografia é de Elliott Erwitt, tirada em 1950, na Carolina do Norte
Jamais pensei que um texto, é de novembro de 2005, pudesse caducar em tão pouco tempo. Trata-se de um diálogo, jamais havido, com a mais afamada defensora da língua portuguesa no Centro-Oeste, Dad Squarisi.
Klotz: – Escrevi a palavra liqüidificador e o corretor ortográfico corrigiu para liquidificador. Eu já li em algum lugar que o trema ainda não teve Lei Áurea. Dad (assente com gesto suave). Klotz (curioso): – Consultei o Aurélio eletrônico e ele oferece as duas possibilidades. Procurei trema no índice do Manual de Redação e não encontrei. Abri à página 74 de Mais Dicas da Dad e encontrei grifado em amarelo: “Não se iluda. O trema continua vivinho da silva”. Dad (assente com a cabeça mais uma vez esboçando sorriso). Klotz: Consulta ao Houaiss eletrônico e verifica que este concorda com o Aurélio. Klotz (faz cara de interrogação): – Tenho certeza que Dad está certa. Por que Aurélio e Houaiss estão errados oferecendo duas opções? Dad (recolhe o sorriso e franze a testa com reprovação delicada). Klotz (intrigado): Volta à página 74 e continua leitura: “usa-se nos dígrafos gu e qu seguidos de e ou i.” Klotz (em voz alta): – LI-QÜI-DI-FI-CA-DOR. Se eu pronuncio a letra u e esta é seguida de i, então LI-QÜI-DI-FI-CA-DOR tem trema. Dad (a testa volta a ficar lisinha, sorriso só com os olhos). Klotz (confuso): Retorna ao Aurélio e relê: liquidificador sem trema. Dad (com olhar didático sugere voltar à página 74). Klotz (lê em voz alta final da nota, e comenta): – “O u deve ser pronunciado”. Pois é, eu pronuncio! Dad (sem dizer palavra sugere que eu repita o que eu acabei de dizer). Klotz: – Pois é, EU pronuncio! Klotz (silencia, reflete e externa): – E há outros que não pronunciam. Líquido, liquidificador. Klotz (alegre com enorme sorriso): – É líquido e certo que você sabe das coisas. E sabe explicar. Mais uma vez, obrigado! Dad (abre largo sorriso e diz): – Fique tranqüilo, são questões da lingüística. Você é que é gentil.
Quem comeu, comeu. Quem não comeu, não come mais. Acabou! Terminou! Zé fini!
O prazo de validade já era. Não tem mais. Não existe mais. Sumiu do mapa. Pode procurar à vontade, nas padarias, restaurantes, churrascarias, supermercados. Desapareceu! Decretaram a extinção da lingüiça.
Nunca mais teremos linguiças temperadas com tremas.
O ano sempre começa lento. Para chegar o carnaval é uma eternidade. O feriado da Páscoa também demora um pouco. Os dias passam, um por um, até chegar a independência, geralmente num fim de semana, desperdiçando nosso desejado feriado. Dali para a frente, a rapidez do ano vai ladeira abaixo, numa corrida desenfreada até chegar o Natal. Aí, é a loucura da falta de tempo.
Faltam poucos dias para a maior data do calendário cristão. Enquanto casado, eu não tinha nenhuma preocupação nem responsabilidade. Na data marcada, sentava-me à mesa em companhia dos familiares e festejávamos. Agora, descasado, fui questionado pela namorada sobre como seria nosso Natal. – Como assim? – Seus filhos? Não vai estar com seus filhos? Natal é uma data de confraternização e união familiar. Fiz uma cara de vaquinha de presépio. Refleti. Ela está certa. E com cara de Papai Noel saindo da chaminé exclamei: – Farei uma ceia de Natal em casa! Na mesma hora anotei na agenda as providências:
Em seguida verifiquei no calendário alguma data disponível. Sexta-feira ou sábado antes da data religiosa. Refleti, por alguns segundos, sobre a conveniência de enviar convites formalizando o evento ou se apenas telefonaria para meus filhos. Achei melhor telefonar para minha filha e convidar meu filho mais tarde, pessoalmente. Afinal, ele mora aqui em casa. Para mim será evento muito importante e realizador. A festa tem de acontecer antes do Natal na casa da ex. Lá meus filhos poderão externar orgulhosamente que o pai deles é capaz de organizar uma confraternização tão bem ou melhor do que a mãe.
GUIRLANDA Na mesma noite procurei os enfeites da casa. Lembrei-me que a guirlanda que adornava nossa porta ficou com a ex. – Serei criativo! Desci ao térreo do edifício com uma tesoura na mão para cortar algumas folhagens e com elas fazer uma coroa. Mal cortei o primeiro ramo e o síndico sugeriu gentilmente que aquele era um bem comum e que, além disso, a poda era proibida depois das 22 horas, principalmente por pessoas que não aprovaram as contas do prédio. Achei que o síndico tinha cara de rena de Papai Noel, e retornei ao meu apartamento. Resolvi procurar gravura de alguma guirlanda em revistas. Encontrei uma garota escultural na página central da Playboy. Ela era o próprio presente. Acabei optando por algo mais apropriado: uma gravura da Nossa Senhora dos Natais Familiares. Recortei e, por não encontrar cartolina, colei direto sobre a porta. Por baixo da gravura grampeei o raminho de planta recém-colhido.
ÁRVORE-DE-NATAL Quando da separação, na partilha dos bens, tivemos uma longa disputa em relação à árvore-de-natal. Pensamos em dividir a árvore em dois. Aí, a contenda passou para quem ficaria com a parte superior da árvore. O corte longitudinal já havia sido descartado, porque o tronco era muito delicado. Ela acabou ficando com a árvore, as bolas vermelhas e brancas. Fiquei com a estrela da ponta da árvore e com as bolas azuis, verdes e roxas. Depois da rejeição do síndico, considerei descartada a hipótese de cortar algum galho de árvore para nomeá-lo pinheiro. De imediato, veio à lembrança a frase exaustivamente dita pela namorada: – A cadeira do seu quarto parece uma árvore-de-natal! Feliz com a solução encontrada, busquei a cadeira e a coloquei sobre a mesinha do canto. Tirei todas as roupas e a enfeitei com bolinhas azuis, verdes e roxas. No alto do espaldar prendi a estrela com uma fita crepe. Só faltam lâmpadas coloridas piscando a genial idéia.
CEIA Agora no papel de dona-de-casa, cozinheira e chefe de cerimonial é fundamental escolher o cardápio de acordo com a solenidade. Petiscos, salada, prato principal, acompanhamento, sobremesa e bebidas. A escolha óbvia para os petiscos são pipocas de microondas enfeitadas com fios de ovos e cerejas. O branco é básico, combina com tudo. Para facilitar a digestão não há nada como uma boa salada! Uma lata de ervilhas, uma lata de milho, algumas fatias de presunto picadas e um vidro grande de maionese. É só ferver o miojo, esperar esfriar e misturar tudo. Para enfeitar, eu coloco uma azeitona da fatia de pizza que sobrou na geladeira. Fiz as contas rapidamente e cheguei à conclusão que seremos seis adultos. Felizmente, nenhuma criança para ficar perguntando de cinco em cinco minutos se já pode abrir os presentes. Por isso mesmo, iremos abrir os presentes logo. Eu lembro que minha mãe, minha avó e também a ex preparavam a ceia na véspera porque o forno era muito pequeno e não comportava o peru ou a leitoa. Não vou assar nenhum dos dois porque não gostaria de comparações do meu peru com outros convencionais. Meu assado será muito melhor, ao menos nos quesitos porta-bandeira, alegoria e samba-enredo. Farei algo bem natalino: lasanha de peito de peru. Não tenho como preparar simultaneamente as seis lasanhas no microondas. De véspera, assarei uma por uma e depois guardarei na geladeira até o grande momento. Para coroar o banquete, a lasanha deve ter acompanhamento à altura. Farei minha especialidade: pizza. Pizza natalina. Será uma pizza de muçarela com nozes e cerejas. Servirei cortada em forma de estrela. Nos grandes eventos sempre há doces e frutas para sobremesa. Serei inovador. Farei prato único, unindo doce e frutas. Cada um de nós poderá servir-se da sua fruta preferida. Uva, abacaxi, manga ou limão. Vou oferecer picolés nos diversos sabores.
BEBIDAS Essa não é minha especialidade. Tenho muita dificuldade para combinar as bebidas com os respectivos pratos. Para acompanhar os petiscos e deixar os convidados bem à vontade para o bate-papo fluir, imagino uísque para os barbados e coquetel de frutas para o departamento feminino. Dizem que uísque com guaraná é cafona. Também acho. Talvez com outro refrigerante fique melhor. De qualquer forma, o uísque já está guardado há bastante tempo: doze anos. – Será que o prazo de validade já venceu? O ideal é experimentar. – Sem gelo é muito ruim. Melhor é servir outra dose e verificar com gelo. Aprovado! Bom, agora vamos ao coquetel de frutas. Ainda bem que já comprei os picolés. Ponho três no liqüidificador e três copos de vodka. Não preciso colocar açúcar nem gelo. No mesmo copo onde estava o uísque coloco três, melhor quatro, dedos do coquetel. Aprovado! – O que fai com lasanha? Finho branco, tinto ou cerfeja? – Efentos importantess tem fários copos e taçasss. Fou tomar só mais um.
MENSAGEM Axo que é melhor ser brefe! Faço cara de apresentador de jornal e leio a mensagem: Agradeço a Deus e a todos os Santos, por mais um ano de saúde e por permitir concluir o que me propus fazer. Sou grato pela presença e pelo carinho da família, desejo que todos tenham um Feliz Natal. Peço a Deus que abençoe esta família e perdoe minha terrível ceia. Amém.
Hoje é sexta-feira, começo do fim de semana. Dia de cinema. Dia de altoastral. Deveres cumpridos e descanso merecido.
Chego emcasajácom duas comédias trazidas da locadora.
Banho tomado, roupaconfortável, pésdescalços e telefonema da namorada dizendo-se companhiapara o filme e para a pipoca.
Para minhasurpresa, vejo que no armárioonde deveriam estar os saquinhos de pipocaparamicroondas, euencontroapenasumcaixa de goiabada.
– Não sou quadrado! Eume viro!
Acho queelanão vai gostar de comergoiabada vendo filme. E se eucolocar no microondas? Acho quetambémnão vai gostar.
Chinelo no pé, vou à padaria. Só tem milhoparapipoca de panela.
– Não tem paramicroondas?
Me enchi de idéias, comprei umpacote de milho e aindadoispães franceses.
Já emcasa, procurando porpipoca, nada encontrei, nem no índice do velholivro da DonaBenta.
Como é quenão tem nada?
Naqueles temposnem havia microondas!
– Não sou quadrado. Eume viro!
Cheio de autoconfiança e criatividade, pego o saquinho dos pães franceses e coloco duas xícaras cuidadosamente medidas do milho recém-comprado.
Feliz pormelembrar do óleo, coloco caprichada meiaxícaraporcima dos milhozinhos. Acho quexícarainteira é demais.
– Eu tenho uma boa mão. É o que dizem meusamigos da roda de pôquer.
Resolvo deixar o salparadepois.
Orgulhoso das idéias, grampeio o saco de papelportrêsvezes.
Apressadamente coloco no microondas, afinal a banca da piajá tem óleodemaispara o meugosto. Aproveito parasecar o caminho de óleoentre a bancada e o forno.
Ansioso, nem espero a namoradachegarnem o filmecomeçar. Aperto a tecla PIPOCA e providencio uma bebida. Vinho!
– Vinho é bomparanamorar...
O ruído do forno está diferente!
Espio pela janelinha e vejo que o saco estourou. Abro a portaimediatamente a tempo de levar uma pipoca na testa.
Toca o interfone. A namoradajá vai subir.
Ela chega e eu, cheio de brios, ofereço vinho e umpãocom goiabada.
Pela primeira vez, em quatro meses, acordara disposto e bem humorado. A grama em Brasília verdejara. Além disso, voltara a trabalhar no meu ofício como corretor, agora em uma grande incorporadora. A vantagem é que ela promovia os lançamentos imobiliários nos jornais e na televisão. Faria mais de uma venda no conjunto de salas recém-lançadas e dirigidas ao segmento médico.
Lembro-me dos acontecimentos daquele dia como se tivessem acontecido agora, há poucos minutos, mesmo após mais de uma década desde aquela segunda-feira, 15 de agosto de 1994. Na época, a minha intuição profetizara que aquele dia seria incomum. Seria um dia fantástico.
Saí de casa exatamente às 9h30, meia hora antes do início de meu expediente e me dirigi ao Setor Hospitalar Sul. No céu azul, o sol mostrava os dentes num enorme sorriso.
Bem próximo ao meu destino, chamou minha atenção uma banca de flores expondo cravos brancos. Foi irresistível. Combinava com o meu humor e completaria a minha auto-estima. Virei à esquerda e estacionei exatamente em frente à banca. Escolhi duas dúzias de flores que foram embrulhadas em papel celofane e presas com uma fita vermelha. Voltei para o carro, depositei o maço florido no banco de passageiros e o observei demoradamente. No mundo machista, em que vivemos, percebi como seria ridículo enfeitar com tantas flores o ambiente de trabalho. No trailer de vendas mal cabiam eu e um cliente, quanto mais duas dúzias de cravos brancos. O supervisor passaria por lá mais tarde. Se ele as visse, e não teria como não ver, espalharia no mesmo dia a notícia para toda a equipe. E eu precisava tanto daquele emprego.
Automaticamente, liguei o carro. Pensava nas flores e na conseqüência da provável falação. Segui em frente ao invés de entrar à direita, rumo ao meu ponto de vendas. Quando me dei conta, cem metros adiante, estava dentro do cemitério. Tudo foi muito rápido ou as minhas reações é que estavam lentas.
Acreditem, fiquei feliz com a solução apontada pelo destino. Decidi me desfazer das flores em algum túmulo. Avancei mais um pouco e estacionei o meu carrinho junto ao meio fio. Peguei o ramalhete e comecei a andar à procura de um jazigo que me fosse simpático, que me agradasse.
Nesses meus quatro meses de Brasília, jamais havia pisado no cemitério. O local plano, muito amplo e com verde para todos os lados, me agradou. Andei por entre várias sepulturas e logo encontrei uma, diferenciada. Uma singela cruz de mármore deitada ao lado da placa de bronze. O espaço era regado pela sombra de um ipê de flores amarelas.
Depositei o ramalhete e li o nome da morta:
Maria Helena dos Santos Abreu
* 13 04 1951
† 15 08 1993
Meus joelhos dobraram. Caí. Caí em choro compulsivo. Fazia um ano, exatamente um ano, que Helena, minha paixão, falecera.
Eu havia mudado de cidade em busca de Maria Helena. Eu sabia que ela estava morando em Brasília. Era só o que eu sabia. Vim para procurar por Helena. Minha doce Heleninha. Encontrei-a depois de quatro meses. Agarrei-me às flores, agora eu entendia porque escolhera cravos brancos. Eram suas prediletas.
Helena significou alegria na minha vida. Sempre inventava fórmulas para fazer e dizer as coisas de uma forma única, singular. Impossível classificá-la apenas com uma palavra. Helena era paixão, sexo, entusiasmo, imaginação, ousadia e criatividade.
Conhecemos-nos em Belo Horizonte, na ante-sala do dentista, e, antes mesmo da consulta, trocamos o primeiro beijo. O segundo beijo foi muito engraçado, pois nós dois estávamos com as bocas anestesiadas.
Heleninha era um ser especial, pessoa com muita energia. Acordava disposta, irradiava animação o dia inteiro e se deitava com disposição para brincar de montanha-russa.
Uma vez fomos convidados a passar o fim de semana na chácara de um amigo. Depois de duas horas de cerveja, ela me puxou pela mão dizendo-se com vontade de comer mangas colhidas no pé. A mangueira nem estava muito longe. Procurei uma vara para cutucar as frutas e ela argumentou que não se deve bater nem em frutas, que deveríamos subir na árvore e colhê-las com suavidade. Parecia uma macaquinha. Em dois tempos estava no alto com uma fruta avermelhada na mão. Demorei a alcançar o mesmo galho. Chupamos mangas e trocamos beijos. Chupamos beijos e trocamos mangas.
De uma outra vez, numa quarta-feira, ela insistiu em ver o pôr-do-sol no ponto mais alto da cidade, o Conjunto JK. Lá, o enorme relógio brilha a hora certa de dia e de noite. Helena superava todas as barreiras e conseguimos chegar ao topo do edifício, na cobertura, com relativa facilidade. A surpreendente Heleninha tinha razão, a vista fascinante merecia um brinde e por isso trouxera uma garrafa que ainda conservava a temperatura gelada. A rolha do espumante explodiu prédio abaixo. Foi sensual beber champanhe sobre a pele. Foi erótico amar tendo beagá aos nossos pés.
Você não tem idéia o quanto amei essa mulher.
E nem pense que Heleninha só gostava das alturas. Num feriado, na distante Guarapari, depois de comermos moqueca de siri e bolinhos de mandioca, num dos quiosques da praia, fomos nos refrescar. A água transparente permitia que meus olhos vissem a tatuagem que só eu conhecia. Naquele dia o mar ferveu.
Em nossos momentos de reflexão e maturidade sabíamos que juntos não teríamos futuro nem segurança. Escrevemos um pacto, assinamos com letras de paixão e nos casamos. Ela com um rico engenheiro e eu com uma dondoca metida a besta. Nossos encontros diários passaram a ser semanais. Carentes, combinamos um jantar no mesmo restaurante. Ela com o marido e eu com a minha esposa. Naturalmente, em mesas diferentes. Foi muito excitante levantarmos ao mesmo tempo e entrarmos furtivamente no mesmo banheiro.
Foram muitos os encontros. Em outra oportunidade, pedi a um colega, corretor, que me desse as chaves de um apartamento finamente mobiliado para mostrá-lo para um cliente. Fantasiamos uma tarde inesquecível. Ela de enfermeira e eu de caubói.
Tudo se transformou quando Maria Helena e o marido mudaram para Brasília. Alugamos caixas postais para trocarmos correspondências entusiasmadas e libertinas. Após oito meses, de uma hora para outra, inexplicavelmente, Helena despediu-se e sumiu. Parou de escrever. Aguardei alguns meses sem nenhum contato. Entrei em desespero e me propus a encontrá-la. Desfiz meu casamento, larguei meu emprego e peguei a estrada. Eu não tinha o telefone nem o endereço. Apenas o número de uma caixa postal e uma fixação: encontrar a amada.
Como eu iria localizar uma secretária? Procurei pelo marido em todas as construtoras. Vasculhei órgãos públicos e empresas privadas. Até que, diante do túmulo, no dia 15 de agosto, relembrei de todos os fatos, e ainda ajoelhado, voltei a abraçar o maço com a fita vermelha.
Todos devem ter uma Maria Helena na vida.
Para mim, naquele momento, a mensagem da última carta recebida fez sentido.
“Meu amor, eu estou muito bem. Recebi a herança da minha mãe.”
Eu não conheci Dona Diva, a mãe de Maria Helena, soube apenas que era uma pobretona como eu e que faleceu de câncer nos pulmões.
Terminou a carta dizendo que “me chamaria quando estivesse em paz novamente.”
— Por que eu tenho que colocar roupa? — Por que o papai tem de trabalhar e você não? — Por que a sua mão treme? — Por que suas fotos, quando criança, não são coloridas? — Por que isso? — Por que aquilo? — Por quê? — Por que essa menina faz tantas perguntas? Todo sábado é a mesma coisa. Ainda bem. Filho e nora deixam a netinha aqui em casa e saem para o cinema, vão a algum casamento, se reúnem na casa do Vinícius ou recebem alguém em casa. Eles sempre têm alguma coisa para fazer e deixam a pequena aqui em casa. Fazem isso por eles e por nós, avós corujas. Ana Beatriz é um doce, muito quietinha. Chega de pijama de flanela, pede colo e uma historinha antes de dormir. Os olhinhos fecham, a cabeça cai e a levo para a cama. Aninha é querida. Não levanta no meio da noite, não faz xixi na cama, nem pede por papai ou mamãe. Apenas dorme profundamente, abraçada ao travesseiro. Acredito sinceramente que, à noite, um duende verde confunde a menina com um brinquedo e dá corda. De manhã, junto com o canto dos passarinhos, Aninha acorda serelepe, matraca e perguntadeira. — Vô? — pulando na cama — Posso deitar na sua cama? — cutuca a sola do meu pé com o dedinho — Por que você não tem cócegas no pé? Cadê a vó? Ela tá fazendo pão de queijo? — Você não ia se deitar na cama? — Pergunto, enquanto estalo um beijo na testa despenteada. — A gente vai para o zoológico depois do café? — Correndo para o banheiro. — Vamos ver a girafa, o elefante, o jacaré e os macacos. Aninha já estava no banheiro espremendo a pasta de dentes. — A pasta de listrinhas vermelhas já acabou? — A vovó comprou essa azulzinha especialmente para você. — É verdade que a vó usa dentadura? — Não. A vovó não usa dentadura. Ela pode morder a sua bochecha. — Hoje de manhã ouvi a vó rezando na hora de levantar. Você não reza? — Algumas pessoas rezam em voz alta e outras rezam baixinho. — Eu nunca vi você rezar. Você tem um terço? — Não querida. Eu não tenho terço. Aquele ali é da vó. — A bisa me ensinou a rezar em alemão. Ich bin klein. Mein Herz ist rein. Soll niemand drin wohnen als Jesus allein*. — Que bonitinha. Fale de novo, mais devagarzinho, senão o bom Deus não compreende. — Deus fala alemão ou português? — Deus entende todas as línguas. — A tia da escola disse que os índios falavam uma língua que ninguém entendia. — Os índios falavam uma língua que os portugueses não entendiam. — A tia disse que os índios não acreditavam em Deus. — Muitos não acreditam em Deus. — Por que alguns acreditam em Deus e por que outros não acreditam? — O deus dos índios é diferente daquele em que nós acreditamos. — A mãe do Felipe não é índia. E não acredita em Deus. Fugindo da pressão, segurei a mão da Aninha e a levei para a cozinha. — Bom-dia querida! Olha só quem eu trouxe! O pão de queijo já está pronto? Ana agarrou-se ao pescoço da avó e tascou um beijo lambuzado de pasta de dentes. — Vó, por que alguns acreditam em Deus e outros não? — Meu anjinho, vista uma roupinha. O pão de queijo está quase pronto. Alfredo, ajude sua neta. A menina olhou para mim e fez beicinho de quem não recebeu a resposta nem comeu o pão de queijo. Fui com ela até o quarto onde estava a sacola com a roupa. — Hoje nós vamos ao zoológico. Você tem medo de lobo mau? — Eu não. Lobo mau não existe. — Tem alguma coleguinha que tem medo do lobo mau? — O Rodrigo tem medo. — Então, ele acredita em lobo mau? — A Maria Alice também acredita. — Então, Aninha, é assim: alguns acreditam e outros não acreditam. Como em Deus. A menina abriu um enorme sorriso, correu para a cozinha e eu fiquei aliviado. — Vó, Deus é como um lobo bom. Não é? Ainda bem que o pão de queijo ficou pronto.
* Versão para a oração infantil:Sou pequenino. Meu coração é puro. Nele mora Jesus menino.
Agora pisei - Quando caminho o mundo acerta o passo comigo. Tudo acontece, tudo vejo, tudo anoto. Nascem histórias curtas, criativas e com finais surpreendentes. Vi tubarões na calçada, telhas assassinas, a perda filosofal. 164 páginas a R$ 40, - dedicatória e correio nacional inclusos.
Manual do escritor – Dicas e ferramentas para quem quer escrever e publicar um livro.
Aprender a técnica literária potencializará seu talento. O conhecimento não serviria de nada para a pessoa sem talento, mas aumenta o alcance de quem a possui.
A prática comprova que pequenas mudanças e melhorias fazem a diferença entre competidores e vitoriosos.
Com bom humor, o autor procurou reunir e compartilhar o que considera mais significativo para o desenvolvimento do ofício da escrita até a publicação do seu livro.
224 páginas a R$ 40,00
Cara de crachá - São 44 histórias vivas, rápidas, inquietas. Capazes de renovar fígados envenenados com tristeza. O protagonista, von Silva, é envolvente. Com ele descobrimos oque há por trás do crachá de um funcionário público. De humor particular aponta o lápis na direção do cotidiano de um usuário de carimbos, há 35 anos na mesma repartição. Esse funcionário só podia mesmo ter Cara de crachá.
160 páginas ao preço de R$ 30,00
Livro: Pepino e Farofa
Pepino e farofa são crônicas bem humoradas resultantes de 50 anos de inexperiência no comando de um fogão onde a comida é o prato principal.
No divã do psicanalista convence que o milho afasta a depressão e a solidão. Uma formiga em cima da bancada é motivo para uma fábula. Explica como um violão pode influenciar na preparação do almoço.
Só foi possível escrever o livro graças à minha mãe que, na infância, incentivou-me a brincar de carrinho em vez de comidinhas e panelinhas.
160 páginas ao preço de R$ 30,00
Quase pisei!é um livro de crônicas com temática andante. Os mortais caminham, Klotz viaja na criatividade. Com escrita na primeira pessoa do singular, convence os leitores de que tudo é verdade e que aconteceu com ele. Também nos dá a impressão que o mundo só começa a acontecer quando calça o tênis e sai para a rua. Seu olhar de cronista sempre está atento através de lentes irônicas, bem humoradas e às vezes poéticas, quando coloca os óculos líricos. O entusiasmo e a alegria do autor são contagiantes.
160 páginas ao preço de R$ 30,00
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Roberto Klotz é um engenheiro que saltou do topo do prédio recém-construído e estilhaçou-se em parágrafos. Nasceu no século passado. Bem-humorado, crítico, vacinado, analfabeto, irônico, paulistanamente canadango. Suas histórias muitas vezes têm finais surpreendentes. Enquanto aprendia a cozinhar, escreveu Pepino e farofa, um livro de aventuras culinárias, engordou de tantas pizzas encomendadas. Para perder peso, o médico recomendou que caminhasse. Durante as caminhadas encontrou elefante, lâmpada mágica, cão bravo, pegadas de onça e 45 motivos para exercitar o bom humor em Quase pisei! A vida continua e aí, o álter ego, von Silva tornou-se personagem de Cara de crachá, um funcionário público que carimba bom humor dentro e fora do expediente.De tantas anotações de oficinas literárias, ora sentado prestando atenção, ora de pé ministrando aulas, resultou o pedido de partilhar o conhecimento que gerou o Manual do escritor.Conquistou mais de 40 prêmios literários. Foi Conselheiro de Cultura na Secretaria de Cultura do DF. É jurado de concursos literários e promove oficinas de escrita. Saltou do prédio por saber-se imortal. Ocupa uma cadeira na Academia de Letras do Brasil – DF.