Hoje é
Chego
Banho tomado,
Para
–
Acho
Chinelo no
–
Já
Como é
Naqueles
–
Cheio de
Feliz
–
Resolvo
Orgulhoso das
Apressadamente coloco no
Ansioso,
–
O
Espio
Toca o
Ela
QUEM? Klotz ; O QUÊ? Escrever ; QUANDO? Sempre ; ONDE? Em todos os lugares ; COMO? Teclado ou caneta ; POR QUÊ? Tesão ; QUANTO? Aí a gente negocia...
Hoje é
Chego
Banho tomado,
Para
–
Acho
Chinelo no
–
Já
Como é
Naqueles
–
Cheio de
Feliz
–
Resolvo
Orgulhoso das
Apressadamente coloco no
Ansioso,
–
O
Espio
Toca o
Ela
Pela primeira vez, em quatro meses, acordara disposto e bem humorado. A grama em Brasília verdejara. Além disso, voltara a trabalhar no meu ofício como corretor, agora em uma grande incorporadora. A vantagem é que ela promovia os lançamentos imobiliários nos jornais e na televisão. Faria mais de uma venda no conjunto de salas recém-lançadas e dirigidas ao segmento médico.
Lembro-me dos acontecimentos daquele dia como se tivessem acontecido agora, há poucos minutos, mesmo após mais de uma década desde aquela segunda-feira, 15 de agosto de 1994. Na época, a minha intuição profetizara que aquele dia seria incomum. Seria um dia fantástico.
Saí de casa exatamente às 9h30, meia hora antes do início de meu expediente e me dirigi ao Setor Hospitalar Sul. No céu azul, o sol mostrava os dentes num enorme sorriso.
Bem próximo ao meu destino, chamou minha atenção uma banca de flores expondo cravos brancos. Foi irresistível. Combinava com o meu humor e completaria a minha auto-estima. Virei à esquerda e estacionei exatamente em frente à banca. Escolhi duas dúzias de flores que foram embrulhadas em papel celofane e presas com uma fita vermelha. Voltei para o carro, depositei o maço florido no banco de passageiros e o observei demoradamente. No mundo machista, em que vivemos, percebi como seria ridículo enfeitar com tantas flores o ambiente de trabalho. No trailer de vendas mal cabiam eu e um cliente, quanto mais duas dúzias de cravos brancos. O supervisor passaria por lá mais tarde. Se ele as visse, e não teria como não ver, espalharia no mesmo dia a notícia para toda a equipe. E eu precisava tanto daquele emprego.
Automaticamente, liguei o carro. Pensava nas flores e na conseqüência da provável falação. Segui em frente ao invés de entrar à direita, rumo ao meu ponto de vendas. Quando me dei conta, cem metros adiante, estava dentro do cemitério. Tudo foi muito rápido ou as minhas reações é que estavam lentas.
Acreditem, fiquei feliz com a solução apontada pelo destino. Decidi me desfazer das flores em algum túmulo. Avancei mais um pouco e estacionei o meu carrinho junto ao meio fio. Peguei o ramalhete e comecei a andar à procura de um jazigo que me fosse simpático, que me agradasse.
Nesses meus quatro meses de Brasília, jamais havia pisado no cemitério. O local plano, muito amplo e com verde para todos os lados, me agradou. Andei por entre várias sepulturas e logo encontrei uma, diferenciada. Uma singela cruz de mármore deitada ao lado da placa de bronze. O espaço era regado pela sombra de um ipê de flores amarelas.
Depositei o ramalhete e li o nome da morta:
| Maria Helena dos Santos Abreu * 13 04 1951 † 15 08 1993 |
Meus joelhos dobraram. Caí. Caí em choro compulsivo. Fazia um ano, exatamente um ano, que Helena, minha paixão, falecera.
Eu havia mudado de cidade em busca de Maria Helena. Eu sabia que ela estava morando
Helena significou alegria na minha vida. Sempre inventava fórmulas para fazer e dizer as coisas de uma forma única, singular. Impossível classificá-la apenas com uma palavra. Helena era paixão, sexo, entusiasmo, imaginação, ousadia e criatividade.
Conhecemos-nos
Heleninha era um ser especial, pessoa com muita energia. Acordava disposta, irradiava animação o dia inteiro e se deitava com disposição para brincar de montanha-russa.
Uma vez fomos convidados a passar o fim de semana na chácara de um amigo. Depois de duas horas de cerveja, ela me puxou pela mão dizendo-se com vontade de comer mangas colhidas no pé. A mangueira nem estava muito longe. Procurei uma vara para cutucar as frutas e ela argumentou que não se deve bater nem em frutas, que deveríamos subir na árvore e colhê-las com suavidade. Parecia uma macaquinha. Em dois tempos estava no alto com uma fruta avermelhada na mão. Demorei a alcançar o mesmo galho. Chupamos mangas e trocamos beijos. Chupamos beijos e trocamos mangas.
De uma outra vez, numa quarta-feira, ela insistiu em ver o pôr-do-sol no ponto mais alto da cidade, o Conjunto JK. Lá, o enorme relógio brilha a hora certa de dia e de noite. Helena superava todas as barreiras e conseguimos chegar ao topo do edifício, na cobertura, com relativa facilidade. A surpreendente Heleninha tinha razão, a vista fascinante merecia um brinde e por isso trouxera uma garrafa que ainda conservava a temperatura gelada. A rolha do espumante explodiu prédio abaixo. Foi sensual beber champanhe sobre a pele. Foi erótico amar tendo beagá aos nossos pés.
Você não tem idéia o quanto amei essa mulher.
E nem pense que Heleninha só gostava das alturas. Num feriado, na distante Guarapari, depois de comermos moqueca de siri e bolinhos de mandioca, num dos quiosques da praia, fomos nos refrescar. A água transparente permitia que meus olhos vissem a tatuagem que só eu conhecia. Naquele dia o mar ferveu.
Em nossos momentos de reflexão e maturidade sabíamos que juntos não teríamos futuro nem segurança. Escrevemos um pacto, assinamos com letras de paixão e nos casamos. Ela com um rico engenheiro e eu com uma dondoca metida a besta. Nossos encontros diários passaram a ser semanais. Carentes, combinamos um jantar no mesmo restaurante. Ela com o marido e eu com a minha esposa. Naturalmente, em mesas diferentes. Foi muito excitante levantarmos ao mesmo tempo e entrarmos furtivamente no mesmo banheiro.
Foram muitos os encontros. Em outra oportunidade, pedi a um colega, corretor, que me desse as chaves de um apartamento finamente mobiliado para mostrá-lo para um cliente. Fantasiamos uma tarde inesquecível. Ela de enfermeira e eu de caubói.
Tudo se transformou quando Maria Helena e o marido mudaram para Brasília. Alugamos caixas postais para trocarmos correspondências entusiasmadas e libertinas. Após oito meses, de uma hora para outra, inexplicavelmente, Helena despediu-se e sumiu. Parou de escrever. Aguardei alguns meses sem nenhum contato. Entrei em desespero e me propus a encontrá-la. Desfiz meu casamento, larguei meu emprego e peguei a estrada. Eu não tinha o telefone nem o endereço. Apenas o número de uma caixa postal e uma fixação: encontrar a amada.
Como eu iria localizar uma secretária? Procurei pelo marido em todas as construtoras. Vasculhei órgãos públicos e empresas privadas. Até que, diante do túmulo, no dia 15 de agosto, relembrei de todos os fatos, e ainda ajoelhado, voltei a abraçar o maço com a fita vermelha.
Todos devem ter uma Maria Helena na vida.
Para mim, naquele momento, a mensagem da última carta recebida fez sentido.
“Meu amor, eu estou muito bem. Recebi a herança da minha mãe.”
Eu não conheci Dona Diva, a mãe de Maria Helena, soube apenas que era uma pobretona como eu e que faleceu de câncer nos pulmões.
Terminou a carta dizendo que “me chamaria quando estivesse em paz novamente.”
O programa Terça Crônica é muito legal. O apresentador
Onze cronistas foram homenageados: Affonso Romano de Sant’Anna,
Aí, tchan, tchan, tchan... Com vocês: Robeeeerto Kloooootz.
Fui ao primeiro programa e adorei o aconchego do espaço e a forma intimista na condução. No segundo, levei um caderno de crônicas, na verdade o livro “Quase pisei!” e entreguei ao Jones. Para minha surpresa ele devorou e me convidou de imediato para participar. YES!!!
Tal qual criancinha, enviei um milhão de e-mails para todos os meus amigos (e não amigos) convidando-os para o evento. O teatro é pequeno e em todas as edições apenas pouco da metade das cadeiras foram ocupadas. Eu estava morrendo de medo da casa ficar vazia. Percorri bares divulgando e distribuindo convites – o evento é gratuito – e vendendo fanzines com 7 crônicas.
O Correio Braziliense publicou uma nota no jornal enquanto o mesmo jornal publicou uma entrevista na internet. Chique, né?
A casa encheu! Soube de várias pessoas que ficaram de fora, inclusive a mulher do músico.
As pessoas que estavam ali, eram meus amigos. Não soube de nenhum que era amigo de Caetano Veloso, o outro homenageado.
Infelizmente as crônicas lidas devem ficar inéditas até a publicação do livro.
Recomendei que amigos levassem tomates maduros para o caso de não gostarem dos textos. Ninguém jogou nada. Ainda bem.
Quando a gente não é conhecido, expliquei, temos que solicitar aos famosos que nos apresentem. Então, à respeito do meu livro “Pepino e farofa” eles não disseram:
Ernesto Che Guevara – Hay
Neil Armstrong –
Charles de Gaulle – Pepino e farofa
Dom Pedro de Alcântara –
A entrevista foi muito tranqüila. O bom humor foi a marca forte do programa.
Quando o programa terminou foi um óóóóóóóóóóóóóó que pena!
Adorei.
Ficou um gosto de quero mais.
Agora que não estou ao vivo na sua frente, caro leitor, arremesse os tomates maduros e as mensagens podres.

Misteriosa figura de chapéu coco, calada em seu olfato e emudecida no olhar por uma pomba branca. Quem é você? Olho para sua imagem e não tenho respostas, apenas mais perguntas e questões. Por que se esconde atrás do símbolo da paz? Ou foi a paz que o deixou sem sentidos? Você está triste com a rápida passagem da pomba ou alegre por ela ter chegado? O que você oculta? Debocha das minhas dúvidas ou está feliz por encontrar alguém questionador?
As profundezas do oceano sugerem frio, escuridão, tristeza, silêncio, trevas e claustrofobia. Exatamente o oposto do que acontece na Atlântida. Dentro da enorme bolha submersa vive um povo dançante, iluminado, extrovertido, corajoso e autoconfiante.
A enorme ilha afundou intacta num terremoto de outras eras. Intactos também ficaram a pirâmide, a ciência e a filosofia dos habitantes daquele pedaço de terra afastado do mundo.
Ao naufragar, arrastou consigo uma enorme bolha de oxigênio e quando tocou o fundo do mar desencalhou uma jazida de rocha de fogo. As pedras irradiavam luz e calor. Em pouco tempo os trabalhadores grudaram milhares de fragmentos da rocha na superfície da abóbada que se transformou em céu de lua cheia. Os cientistas desenvolveram sistemas de irrigação e colheita para as terras férteis. Graças à comida fácil e abundante os ilhéus aplicaram o tempo disponível na educação e na cultura. Ampliaram conhecimentos e retiraram energia a partir do movimento do mar. Em algumas gerações de união, perseverança e isolamento construíram uma fabulosa e fantástica vila. Todos moram em casas espaçosas, ventiladas e iluminadas. A pirâmide é reservada ao comandante e aos cientistas, a elite de Atlântida. As máquinas realizam todos os serviços desagradáveis ou que demandam esforço físico. Tudo é meticulosamente organizado e limpo. Tampouco há desperdício. Iluminação, transportes e comunicações funcionam com precisão e pontualidade. Os atlantes têm uma vida confortável.
Os trabalhadores são muito animados. Amam as segundas-feiras, o único dia em que podem sair da bolha, após a ginástica, para colher algas e crustáceos. Dedicam três dias ao desmonte de navios e aviões e à manutenção dos equipamentos da bolha e enquanto os três dias restantes da semana são destinados à música e à dança. Os cientistas preocupados com o bem estar da população temem que alguma revolta por mais espaço e por mais filhos resulte no fim da qualidade de vida. Formularam as leis decretadas pelo comandante. Leis inflexíveis e severas. Todos devem que segui-las à risca de pesados castigos. À distância Atlântida parece ser o Éden. Não é.
O problema de Atlântida é o espaço fisco. Conforme os estudos e a experiência chegaram à conclusão que o limite máximo é de 5.000 habitantes sob pena de perda na qualidade de vida. Sempre que a cifra tétrica é atingida, alguém deve ser sacrificado. E esta escolha é decidida entre as paredes da pirâmide. Os cientistas se preocupam com a melhoria genética. Os escolhidos invariavelmente são portadores de alguma deficiência. No passado, a miopia ou a calvície justificavam a sentença. Devido às inúmeras uniões consangüíneas dentre a pequena população, mais recentemente a situação se agravou com o surgimento de uma misteriosa doença que, paulatinamente, enrijece e enfraquece primeiro pernas e depois braços, além de afetar a postura em geral e, em menor intensidade, a visão e a fala. Todos são alegres, todos dançam, porém os sacrifícios são constantes e ultimamente afetam inúmeros recém-nascidos. A música diminuiu o volume.
A solução, todos sabem, está acima da superfície do mar. Há três séculos capturam navios e mais recentemente fisgam também aeronaves que trafegam na região conhecida por Triângulo das Bermudas. Exceto homens, aproveitam tudo que encontram nas embarcações. Documentos, metais, combustíveis e alimentos. Os navios e aviões invariavelmente têm tripulação masculina o que levou os cientistas, nos últimos 50 anos, a desenvolverem técnicas de retirada de sêmen para inseminação artificial visando à melhoria genética do povo submerso. A solução é paliativa. A única saída para a salvação de Atlântida é o aumento da área. É a conquista de novos territórios.
Com a captura das aeronaves atuais, os cientistas confirmam a evolução muito grande dos terráqueos. Breve, muito breve, eles, os homens da superfície, terão condições de localizar a bolha e descobrir onde são desmontados os jatos. Saberão onde está e quem a habita. Não os deixarão
O comandante, apoiado pelos estudos dos cientistas, reúne a população para, num discurso, informar que é chegada a hora de sair da defensiva e partir para a ofensiva. Confirma o sucesso absoluto do último teste realizado na região da Indonésia onde uma ilhota foi afundada trazendo consigo uma bolha de oxigênio. A ilha pousou suavemente no fundo do oceano exterminando todos os habitantes com a elevada pressão. Cem trabalhadores serão contemplados para fazer a viagem exploratória para conhecer nosso triunfo. Estes felizardos também terão a oportunidade de comprovar como os terráqueos são uma ameaça pelo modo como se refizeram da tsunami e rapidamente repovoarem toda a região afetada.
O comandante continuou o discurso com palavras sobre o futuro. Precisamos abalar profundamente o poder e a força dos seres da superfície além de provocar enormes baixas na população. Confirmo o fim dos testes, comprovamos nossa capacidade de provocar uma bolha do tamanho da nossa necessidade. E, por questões estratégicas planejamos duas novas moradias para o povo atlante. Ao afundarmos as ilhas simultaneamente, provocaremos ondas gigantes para abalar todos os poderosos do planeta. Afundaremos Cuba e Hondo, a maior ilha do Japão.
A contagem regressiva para a nossa expansão começa agora. Viva!
Face anterior do sarcófago de Fedra. Data: AD 290. Paris, Musée du Louvre. Foto: Marie –Lan Nguyen
Apresentação das personagens
Fedra nasceu em berço de ouro, não era uma suburbana qualquer, tinha árvore genealógica repleta de gente da alta sociedade. Era de linhagem nobre com descendência direta do Rei Sol. Sempre teve tudo o que quis. Bela, exercia grande fascínio sobre os homens. Habituou-se a exercer sua magia para conquistar o que desejava. Caprichosa, passional, fútil, ninfomaníaca. Ainda muito cedo descobriu que o que interessava aos meninos estava um palmo abaixo do seu próprio umbigo. Usou esse conhecimento para obter vantagens e livrar-se dos inimigos. Rumores dão conta de que teria sofrido abuso sexual na primeira infância o que explicaria algumas de suas atitudes adultas. Freud, sem constrangimento, a rotularia de perversa.
Teseu, viúvo, era jogador inveterado. Somou fortuna arrasando seus adversários, tomando-lhes automóveis, casas e mulheres. Compulsivo fumante de charutos cubanos e uísque escocês. Exibia as mulheres mais bonitas do planeta. Gostava da companhia das mulheres, dizia que eram amuletos. Usava-as como um colecionador, mantendo-as intocadas, talvez para não estragá-las. Mantinha uma suíte nupcial especialmente para as suas conquistas. Os empregados diziam que a suíte era freqüentada apenas mensalmente. Freud, certamente diria que Teseu, apesar do sugestivo nome, era impotente.
Hipólito, filho de Teseu e Antíopa. Possuía cachos dourados e um corpo de abalar Atenas. Freqüentava academias de ginástica e dança moderna. Com seus discursos a favor da castidade repelia as investidas femininas. Vaidoso a ponto de gastar horas modelando os cabelos anelados protegidos por uma redinha sempre que saía com a Porshe amarela conversível, presente do pai. Visionário, triunfou como produtor musical, sendo responsável pelo sucesso de grupos como ABBA e Village People. Dizem que foi precursor no uso de anabolizantes e depilação completa para homens.
Breve resumo dos fatos — surge o conflito
Conheceram-se
Alegando negócios, Teseu estava sempre ausente de casa. Enquanto isso Fedra ensinava os mistérios da maquiagem ao enteado que retribuia com massagens. Fedra se apaixonou e presenteou Hipólito com uma coleção de barbies.
Apesar da maravilhosa esposa, Teseu visitava o quarto nupcial apenas uma vez por mês, quando não estava viajando, de modo que a única alegria de Fedra era apreciar o corpo bronzeado e escultural de Hipólito na beira da piscina. Não havia mulher que não se apercebesse da fome da paixão nos olhos de Fedra,
Teseu passou o Natal de 2004 na Indonésia e não voltou. Fedra concluiu que a grande tsunami matou Teseu, e se declarou a Hipólito.
O conflito se agrava — anuncia-se a tragédia
Uma noite Fedra entrou silenciosa no quarto de Hipólito. Acendeu uma luz suave ao som do rouco Joe Cocker cantando “You can leave your hat on”. Tirou todas as peças devagar, mordendo os lábios, movendo os quadris em “Nove e meia semanas de amor”. Nenhum homem resistiria àquela boca carnuda implorando desejos. Hipólito jogou-a em cima da cama. Fedra antecipa o prazer imaginando uma longa noite de lascívia selvagem. Entrega-se.
Antes do tapa explodir em seu rosto ouviu-o, aturdida, mandando-a embora e ameaçando contar tudo ao pai.
Epílogo — A tragédia se consuma
A reação de Hipólito lançou-a num mar de medo, rejeição e ódio.
Sentiu-se a mais vil das criaturas, desprezada e repelida como um cão sarnento. A dor da rejeição transformou amor e tesão em medo e ódio mortal.
Assim que Teseu chegou de viagem, Fedra acusou Hipólito de tê-la violado sem chances de defesa.
Furioso, Teseu reuniu amigos que lhe deviam favores e encomendou a morte do filho.
Os jornais do dia seguinte estamparam, na primeira página, fotos da Porshe amarela caída num penhasco. A nota apontava que uma overdose teria sido a causa do acidente, uma vez que a polícia encontrou dois papelotes no porta-luvas e outro no bolso do morto.

Chego aos boxes, olho no monitor e vejo o acidente. Fixo as imagens, tiro o capacete e a balaclava, balanço a cabeça e me afasto. Terrível. O choque foi terrível. Acho que morreu.
O monitor dos boxes repete a cena em que o Fórmula 1 do austríaco Roland Ratzenberger se choca violentamente contra o guard-rail na pista de Ímola. Ayrton Senna se dirige a um carro da direção da prova enquanto médicos e para-médicos fazem a massagem cardíaca no acidentado.
Ontem foi o Rubens, gente boa. Ele me disse que estava ok.. Mas como pode estar bem? Todo esfolado, com a cara enfaixada e o nariz quebrado? Idiotas, queriam me barrar. É um absurdo ter que pular muros para ver um amigo no hospital. Será que querem tapar o sol com a peneira? Será que pensam que somos idiotas? O que eles querem? Querem enfiar feridos debaixo dos tapetes? E o Rolly, meu Deus, foi gravíssimo!
Senna rapidamente chega até o local do acidente, vê os restos mortais do carro sendo içado pelo guincho. Abre caminho entre jornalistas, bombeiros, fiscais de pista e em segundos o médico informa que não há esperanças. Sem dizer palavra, retorna ao carro que aguarda com as luzes do teto faiscando emergência. No paddock troca palavras ásperas com dirigentes da Federação Internacional de Automobilismo, se isola chorando atrás dos boxes e finalmente entra no motor home.
Tranco a porta. Malditos fotógrafos, me deixem em paz! Vocês só querem manchetes, agora eu não sou manchete. A primeira página está lá no asfalto, rodeado de destroços, pesadelos e aves de rapina. Xô, urubu, xô urubu! Morreu. O Rolly morreu. É isso que vocês querem, vocês querem vender jornal com as nossas vísceras! A tevê vai matar 200 vezes. Vai matar rápido, vai matar lento. Vai matar à distância, vai matar
Fecho os olhos, levanto a cabeça
Ave Maria,
cheia de graça,
o Senhor é convosco.
Bendita sois vós entre as mulheres
e bendito é o fruto do vosso ventre: Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora da nossa morte.
Amém.
Julgam que tenho talento, talento tem o Michael... vocês não sabem, vocês não vêm minha dedicação, esforço, renúncia, treinos, concentração, repetição até a exaustão. Vocês não sabem das minhas preces, orações e agradecimentos. Vocês querem corrida? Vocês querem ver a platéia delirando? Vocês querem dinheiro? Vocês querem show? Eu, com ajuda de Deus, darei o que vocês querem. O campeonato, para mim, começa agora. Fiz a pole, farei a melhor volta e levarei os dez pontos. Não me entrego, estou de pé! Vocês vão sorrir de novo. A temporada de caça começou! Vou alcançar o coelho. Vou jantar o coelho. Depois da quadriculada, a brasileira vai tremular. Brasileira? Ah, Rolly, vou levar uma da Áustria, por você Rolly, por você!
Como de hábito, fecho os olhos, levanto a cabeça
Pai Nosso que estais no céu,
santificado seja o vosso nome,
vem a nós o Vosso reino,
seja feita a Vossa vontade
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje,
perdoai-nos as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos
a quem nos têm ofendido,
não nos deixei cair em tentação
mas livrai-nos do mal.
Amém.
A bandeira, por você Rolly e por mim. Já houve acidentes antes. Sempre haverá acidentes. Mesmo depois de batidas alguém vence. Sempre há um vencedor. Ninguém me segura na chuva, vou vencer tempestades. Se eu quiser vencer, e eu quero vencer, tenho que reunir todas as minhas forças, todos os meus limites. Vou...
Batem na porta.
— The interview! They're here!
Fuck! — I'm coming! Respondo seco.
De que me adianta chorar? Amanhã devo sentar no meu esquife e pilotar! Melhor lavar a cara com água fria e enfrentar logo a realidade.
Espalho água no rosto. Ensopo meus cabelos. Quando jogo a cabeça para o
alto — prendeu na torneira — Merda! Que merda... arrebentei o cordão.
Desolado. Recolheu a corrente e a medalha na mão.
Fecho os olhos, levanto a cabeça em desespero — Deus, não me abandone! Por favor Deus, não me abandone, eu Vos imploro!
Consertou a corrente e atendeu os jornalistas.
Manual do escritor – Dicas e ferramentas para quem quer escrever e publicar um livro.
Aprender a técnica literária potencializará seu talento. O conhecimento não serviria de nada para a pessoa sem talento, mas aumenta o alcance de quem a possui.
A prática comprova que pequenas mudanças e melhorias fazem a diferença entre competidores e vitoriosos.
Com bom humor, o autor procurou reunir e compartilhar o que considera mais significativo para o desenvolvimento do ofício da escrita até a publicação do seu livro.
224 páginas a R$ 40,00
Pepino e farofa são crônicas bem humoradas resultantes de 50 anos de inexperiência no comando de um fogão onde a comida é o prato principal.
No divã do psicanalista convence que o milho afasta a depressão e a solidão. Uma formiga em cima da bancada é motivo para uma fábula. Explica como um violão pode influenciar na preparação do almoço.
Só foi possível escrever o livro graças à minha mãe que, na infância, incentivou-me a brincar de carrinho em vez de comidinhas e panelinhas.
160 páginas ao preço de R$ 30,00
Quase pisei! é um livro de crônicas com temática andante. Os mortais caminham, Klotz viaja na criatividade. Com escrita na primeira pessoa do singular, convence os leitores de que tudo é verdade e que aconteceu com ele. Também nos dá a impressão que o mundo só começa a acontecer quando calça o tênis e sai para a rua. Seu olhar de cronista sempre está atento através de lentes irônicas, bem humoradas e às vezes poéticas, quando coloca os óculos líricos. O entusiasmo e a alegria do autor são contagiantes.
160 páginas ao preço de R$ 30,00
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A dedicatória é para você?
A postagem nacional é por minha conta.
Depósito no Itaú
Ag 3932 CC 23591-8