13 maio 2010

O poste literato


Trabalhamos na mesma repartição há pelo menos três anos. Cumprimentamos-nos no elevador. Às vezes trocamos frases maiores que “bom-dia” ou “até amanhã”. Algumas vezes, conversamos sobre o tempo ao buscar um cafezinho na copa. O dela sem açúcar. Engorda. O meu com muita fé. Crença de que não engorda. Aprendi o nome dela em uma das várias reuniões mensais.
Eu gostaria imensamente de descrevê-la em detalhes. É impossível. Poste não tem detalhes. Às vezes, alguns cartazes colados: Faço tudo – eletricista, bombeiro e pedreiro. Resultado do jogo do bicho. Ou, conheça seu futuro nos búzios da Mãe Laura. Como os cartazes nos postes, os acessórios, na roupa feminina, são fundamentais. Não tenho a menor idéia do que se passa no alto da cabeça da Mônica. Se cabos de telefone ou muita energia. Tampouco reparei se no alto há transformador ou uma lâmpada luminosa. Não vi se os cabos estão organizados, ou encaracolados.
Todas as mulheres no meu trabalho são postes. Faço questão de enxergá-las assim. A minha solteirice está convencida que se empregar com amigas do trabalho resulta em demissão por justa causa. Da mesma forma que se envolver com amigas da ex-mulher significa entrar no inferno pela porta da frente. A minha longa experiência de vida sugere que as colegas de trabalho podem ser de concreto, madeira ou metal. Jamais de carne e osso. Filé mignon, nem no melhor dos devaneios.
Tenho um amigo boêmio que tem a mesma teoria que eu. Outro dia fomos a um boteco e tomamos uísque para mais de meio metro. Na saída, trôpego, o amigo esqueceu todos os preceitos para fazer juras de amor a um poste público.
Para contar a minha história achei muito importante descrever detalhadamente quem era a personagem e qual o interesse que ela representava para mim até que, sempre existe um até que.
No final do ano, como em todas as repartições houve uma festa de confraternização. Sentamos um do lado do outro. Ela separada e eu divorciado. Tudo a favor para resultar em diálogos sedutores. Descobrimos que tínhamos as mesmas afinidades que pode ter um elefante com uma agulha. Ela contou-me que tiraria o recesso viajando com todos os parentes. Eu disse que ficaria na cidade, seria o responsável pela seção. Os olhos dela brilharam. — Jura que vai ficar em Brasília? Enchi o peito e respondi que sou muito responsável. Falei, e no exato momento em que terminei a frase, percebi que eu havia falado demais. — Que bom, encontrei alguém para regar as minhas plantinhas. Antes de me refazer do susto, ela se levantou dizendo que ligaria para mim, combinando os detalhes da minha responsabilidade.
Dois dias depois, recebo um telefonema em que ela me informou que saiu correndo de casa, já estava no aeroporto e que a chave do apê estava sob o capacho. Eu deveria regar as plantinhas ainda hoje.
Foi muito constrangedor virar a chave. Para quem eu pediria licença antes de entrar? Penetrei no apartamento. Em vez de violar, eu estava sendo violado.
Constrangido, tive olhos apenas para procurar plantas e vasos. Encontrei um papel sobre a mesa da sala com as instruções detalhadas para cada espécime a cada dois dias. Finalizava com agradecimentos e um endereço eletrônico.
Fui até a cozinha peguei uma panela e enchi de água. Segui todas as instruções detalhadamente, inclusive bombando o spray sobre elas. Confesso que tomei liberdade não concedida: verifiquei se a torneirinha do gás estava fechada. Maldito juízo.
Por causa de uma planta não relacionada enviei um e-mail perguntando se a planta entre a mesa da sala de jantar e a cozinha — aquela que parece um capim comprido verde escuro sobre umas pedras brancas — deveria e ser regada.
Ela respondeu-me que a planta que mencionada é fake... kkkkkk...é de plástico. Amore, mude as lentes dos óculos.
Quem gosta de verde é quadrúpede ruminante. Prefiro e convivo com dois quadrúpedes latidores.
Só voltei a enviar outro e-mail após a segunda rega.
“Estive em sua casa. Ao contrário da outra vez, hoje suas plantinhas nem latiram muito quando cheguei. A violeta chegou a abanar a folhinha. E a orquídea pulou no meu colo. Muito bacana. Já se afeiçoaram a mim. Aquela do pescoço comprido, perto da violeta, está muito saudosa. Chorou perguntando por você. Dei um biscoito e ela se acalmou. Before que eu esqueça, aquela planta que você chamou de fake ficou ofendidíssima. Disse que fake é a sua mãe. E até me mostrou a carteira de identidade e o CPF.”
Na minha quarta missão regadeira, eu continuava tão constrangido de entrar no apartamento alheio como se fosse a primeira vez.
Aliás, na minha primeira ida ao apartamento fiquei bem impressionado com uma planta que parecia árvore de natal, de tantas frutinhas vermelhas. Agora estava triste, cabisbaixa e com a pele amarelada. Deve ter sido a inveja de alguma das outras coleguinhas. Lançaram um olhar de seca pimenteira.
Acabei por enviar outro e-mail informando que a de brinquinhos vermelhos estava moribunda enquanto outra verde clara insistia em escalar as minhas pernas.
Ela respondeu que a pimenteira já estava batendo as botas quando saiu. Logo a substituiria por outra. Disse estranhar o comportamento da planta assanhada, uma vez que não havia nenhuma trepadeira no apartamento. Informou que já estava fechando as malas para retornar.
O dia seguinte amanheceu ventoso ameaçando tempestades. Voltei para a missão derradeira com o objetivo de verificar se havia alguma a janela aberta.
Não passou pela minha cabeça entra no dormitório. Autorizei-me a entrar no escritório. Mãos às costas, avancei sorrateiro como se estivesse abrindo correspondência alheia. Sem olhar para os lados fui direto à janela. Estava fechada. Quando me virei, meu coração acelerou subitamente ao reparar a enorme estante de livros. Um tesouro. A minha curiosidade se manifestou e desandei a ler lombadas e avançando na intimidade e conhecendo o perfil psicológico de um poste através de suas preferências literárias. Jorge Amado, Guimarães Rosa, Maquiavel, Lacan, Sarte, João Ubaldo, Carlos Eduardo Novaes, Carlos Eduardo Novaes, Carlos Eduardo Novaes, êpa! Uma coleção inteira do Novaes! Meu cronista predileto! Nunca vi algo parecido.
Na adolescência comprava o jornal só por causa das crônicas. Senti ímpetos de tocá-los, de pegá-los, de levá-los. Eu queria os livros para mim. Eu precisava possuí-los. Mônica sempre fora um poste. Agora a percebo como um semáforo que acendeu a luz verde.
Quer casar comigo?

22 abril 2010

Etiqueta

Etiqueta é uma ética menor?



Etiqueta é a ética metida a besta?



Etiqueta será a ética dos grã-finos?

Placar


No jogo da vida só ganhamos quando tiramos os pontos após a cirurgia.

Cowboy




Sem rodeios, o peão montou na vaca.

01 abril 2010

Preciso de ajuda


Procurei por toda parte. Nem o Google encontrou. Você sabe onde está o cortador de unhas?

Rápido, por favor. Minhas unhas continuam a crescer velozes.

29 março 2010

Ilha de Caras

Charles Darwin não se importava em usar meias furadas.
Marlyn Monroe comprovadamente, enquanto filmava nua na piscina, soltou um pum.
Antoine de Saint-Exupéry respirava sem a ajuda de aparelhos.
Salvador Dali esporadicamente, após as refeições, palitava os dentes.
Vinícius de Moraes cortava as unhas semanalmente.
Cecília Meireles fechava os olhos enquanto beijava.
Alberto Santos Dumont se molhava todo na hora do banho.
Léon Tolstói foi alfabetizado em russo.
Joe Nobody é josé ninguém.
Antonio Banderas olha o relógio quando quer saber as horas.
Jesus Cristo nunca andou de bicicleta.
Nelson Rockfeller, apesar de bilionário, jamais comprou uma tevê de 40 polegadas.
Derci Gonçalves, pouco antes de morrer, confidenciou que, para escovar os dentes, usava uma pasta dental de cor branca.
Roberto Carlos quando desabotoa as camisas azuis usa as duas mãos.
Gisele Bündchen geme quando se depila com cera quente.
e que Rui Barbosa, quando escrevia, só quando escrevia, abusava da letra A.

11 março 2010

Crônica - um pouco de teoria

Foi dito por aí:

Crônica é tudo o que o autor chamar de crônica. – Fernando Sabino

A crônica é o relato de um flash.

Ser cronista é viver em voz alta. – Manuel Bandeira

Crônica é a literatura de bermuda. – Joaquim Ferreira dos Santos

A crônica é um vício. Quando gostamos do modo de escrever de algum cronista, assumimos uma parceria com ele. – José Maria

Quando não é aguda, é crônica. – Rubem Braga.


A crônica é uma narração do tempo, do cotidiano versando sobre acontecimentos reais, fatos ou idéias de teor artístico, político, esportivo etc ou relativos à vida quotidiana. Apesar de ser divulgado em jornal costuma ter valor literário. Enquanto o jornalismo tem no fato seu objetivo, seu fim, para a crônica o fato só vale, nas vezes em que ela o utiliza, como meio ou pretexto, de que o artista retira o máximo partido, com as virtuosidades de seu estilo, de seu espírito, de sua graça, de suas faculdades inventivas. A crônica é na essência uma forma de arte, arte da palavra, a que se liga forte dose de lirismo. É um gênero altamente pessoal, uma reação individual, íntima, ante ao espetáculo da vida, as coisas, os seres. O cronista é solitário com ânsia de comunicar-se.
Nada mais literário do que a crônica, que não pretende informar, ensinar, orientar. Apesar da publicação nos periódicos, não é indissoluvelmente ligada ao jornal, e o prazer da sua leitura decorre mesmo em livro, construindo ‘uma vida além notícia’.


O conto é breve narrativa, devendo contar unidade dramática, concentrando-se a ação num único ponto de interesse. O conto deve ter um só conflito, uma só ação. Deve ser narrado em terceira pessoa e ter epílogo surpreendente, boa trama linear. O diálogo é imprescindível no conto. E deve ter objetividade de ação, de lugar e de tempo.


Crônica – características
• Narrativa curta – os cronistas normalmente têm um espaço fixo numa coluna de jornal. Nem mais, nem menos.
• É um relato do cotidiano.
• Narrado em primeira pessoa.
• Opinião e interferência do autor sobre a observação. (o jornalista não deve opinar)
• Não contém diálogos (LFVerissimo adora cronicar usando diálogos)
• Normalmente com bom humor – o autor procura cativar o leitor para outras leituras.
• É a narrativa a partir de um flash. Um artigo no jornal, uma conversa, um fato, uma particularidade.
• Identificação com o leitor. O cronista, no fundo, deseja que seu leitor seja um co-autor.
• Dizem que a grande inspiração do cronista é o prazo do editor.
• A crônica abre uma discussão, uma polêmica, um questionamento.
• Normalmente o suporte é o jornal.
• Finais surpreendentes.

Conto – características
• Narrativa curta. Menor que a novela e muito menor que o romance.
• Narrada em terceira pessoa.
• Um só conflito.
• Contém diálogos
• Tem final surpreendente ou moral. Diferentemente de um artigo jornalístico, por exemplo.
• O conto fecha uma questão, uma história, uma polêmica, um questionamento.
• Quase sempre nos livros.


Não há regras fixas – estas são apenas diretrizes para ajudar a diferenciar os tipos de prosa.


Primeira crônica brasileira – A carta de Pero Vaz de Caminha.
Opinou: em se plantando tudo dá. (ele não plantou para saber), As índias expunham suas vergonhas (isso é opinião), ainda pediu emprego para o sobrinho.
Rubem Braga. entra para a história literária exclusivamente como cronista.
A coluna do jornal é um complemento salarial cobiçado. Livros não rendem dinheiro aos autores. Por isso quase todos os grandes escritores foram ou são também cronistas.

Cronistas: Nelson Rodrigues, Carlos Drummond de Andrade, Otto Lara Rezende, Machado de Assis, Clarice Lispector, João do Rio, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Manuel Bandeira, Danuza Leão, Caio Fernando de Abreu, Conceição Freitas, Rubem Braga, Carlos Eduardo Novaes, Artur da Távola, entre outros.

03 março 2010

Perguntas de soslaio

Ajeito-me na cadeira. Puxo o teclado para mais perto. O monitor exibe uma tela com o Maracanã lotado de bandeiras tricolores. Sobre o estádio estão vários ícones, não do futebol, mas dos meus programas de maior uso. O meu predileto, a minha ferramenta mais freqüente, fica no canto inferior direito com o singelo nome de Paz. Ninguém da face da terra vai imaginar que sob aquele ícone travam-se as mais ferrenhas batalhas entre o computador e eu. Basta clicar e a máquina me desafia para mais uma disputa de pesos desproporcionais. Sete montinhos de cartas se perfilam para outra contenda de paciência.
Era exatamente isso, deitando um cinco de paus sobre um seis de copas, que eu estava fazendo, no meio da tarde, quando atendo ao telefone.
— Repartição, boa tarde.
— É você von Silva?
— À sua disposição...
— Você se lembra de mim?
Ser interrompido numa empolgante partida de paciência é ruim. Mais grave é quando uma pergunta constrangedora interrompe nosso raciocínio exigindo concentração e reflexos rápidos alternando instantaneamente para jogo de adivinhação.
— Você me pegou de surpresa! Você cortou o cabelo não foi? Mas lembro muito bem da sua voz. — Respondi oferecendo uma oportunidade à interlocutora de revelar seu nome.
Ao invés de desvendar o mistério, ela opta por oferecer uma pista.
— Não está me reconhecendo, von Silva? Nós nos falamos há menos de um mês.
Essa mulher quer complicar a minha vida! Preciso fazer com que ela fale um pouco mais. — É que o meu aparelho está chiando muito, e não consigo ver você direito! — Brinco procurando ganhar tempo.
— Puxa, von Silva, imaginei que eu fosse uma pessoa mais importante para você.
Nesse momento me senti acuado. A fala foi muito curta, não percebi qualquer sotaque. Chamou-me de você, nem doutor nem senhor, tampouco pelo prenome. A voz doce e sensual fala com intimidade. Como posso ser grosseiro com alguém que fala com voz de lábios vermelhos carnudos? E se for uma amiga ou sobrinha da madame? Deus me livre! Que fria!
— Quem sabe você diz só o primeiro nome?
— Você foi tão encantador... me chamou de mocinha.
Era só o que me faltava, encantei alguém por chamá-la mocinha. Chamo todas as mulheres de mocinha ou menina, é só um jeito de falar, moças ou velhas cambaleantes, todas gostam e não preciso guardar nomes. Desconfio que a mocinha seja um trubufu solitário sem desconfiômetro. — Agora que já sei com quem estou falando ficou mais fácil, mocinha. Em que posso ajudá-la?
— Você está muito ocupado?
Não, não pode ser! Isso é uma brincadeira de mau gosto! Ninguém merece. Nem para a minha consciência eu admitiria estar na quarta partida. Tenho que tomar cuidado com as minhas palavras e preciso descobrir quem é essa poderosa jararaca cabeluda. Será que ela precisa de alguma consultoria? Será que quer apenas que eu a chame de mocinha novamente? Será que precisa que eu descubra o destino de algum processo na repartição? Será que quer testar meus nervos? E se for alguém da auditoria? — Estou analisando essa pilha de processos que está na minha frente. Tenho muito trabalho. — E se a jararaca for apenas uma cobrinha risonha? — Mas, posso fazer uma pausa.
— Será que pode me ajudar?
Isso é um novo tipo de tortura! Um interrogatório onde o algoz coloca a vítima em um pau de arara, venda os olhos e queima o prisioneiro com pontas de cigarro primeiro nos braços e pernas indo até a genitália. Não posso me entregar! Não vou delatar meus companheiros de repartição. Somos inocentes! Estou nas mãos da inquiridora. Serei simpático antes que me corte a língua: — Posso ajudar sim, contanto que não seja nada de ilegal.
— Hahahahaha (foi a risada mais satânica que já ouvi). Bem que o Zé diz que você sempre está bem humorado.
Ufa! Afinal uma abertura. — De qual Zé você está falando?
— Do meu marido.
Que maravilha, passei da posição de interrogado para interrogador. Na primeira oportunidade me vingarei dessa víbora peçonhenta. Farei um cinto de pele de cascavel e o meu telefone em vez de tocar vai chacoalhar guizos. — Aposto que só você o chama de Zé. — Arrisquei.
— É verdade. Aí na repartição todos só o chamam pelo sobrenome ou simplesmente de chefinho.
Filhada mãe! Então é a senhora, dona Altamira? Espero que ela não tenha percebido a minha dúvida. Baixei a guarda. E fui quase subserviente. — Afinal, no que posso ajudá-la?
— Eu quero saber onde você comprou para a madame aquele vestido com flores azuis e também que você vai fazer no sábado?
De novo não! Socorro. Vai começar outra seção de tortura!
— Desculpe mocinha, a secretária me avisou que devo descer imediatamente para falar com o diretor. — E, desliguei.

27 fevereiro 2010

Elogio do Moacyr Scliar


Enviada em: sáb 27/02/2010 10:08

Meu caro Roberto, só umas linhas para te dizer que estou terminando teu livro e que gostei muito de tuas crônicas, vivas, bem humoradas, bem escritas. Recebe os parabens e o abraço do Moacyr Scliar


Na quinta-feira o Scliar esteve aqui em Brasília para uma palestra no T-Bone. Busquei uma dedicatória para um livro recém adquirido. Eu já havia trocado breves e-mails com ele. Conversamos ligeiramente. Presentei-o com Quase pisei!.
Hoje recebi o retorno estufa ego.

Moacyr Scliar - 80 livros publicados; 3 prêmios Jabuti; escreve para vários jornais; É da Academia Brasileira de Letras.


Tem escritores que escrevem para burro. Scliar escreve para Jabuti.

15 fevereiro 2010

Nostradamus

Estávamos arrumando a cama quando ela falou.
– Que horror estou perdendo muitos cabelos!
– Isso é só o começo! Respondi incisivo.
– Como assim?
– Hoje cabelos. Amanhã orelhas, braços, pernas...

A entrega por amor

Sentou-se no alto do penhasco tendo a noite, o mar e o vento frio por companhia. Olhou o infinito de estrelas oferecidas piscando sorrisos, requebrando brilhos ou ostentando poderosos decotes como estrelas holiúdianas. Elas sempre estiveram tão próximas que podia pegá-las com a mão. O alforje acumulava constelações de perdidas. Ele só queria um amor. A lua espiou no horizonte, cresceu no seu desejo, tomou-o de paixão. Por amor, jogou-se ao mar, nadando esforços, para possuí-la.

13 fevereiro 2010

Espetáculo em unico ato.



Eram exatas oito horas. Horário em que ela chegava do trabalho e se preparava para o banho. Ansioso, diariamente eu esperava o momento com o binóculo na mão. Nesta terça-feira o marido entrou no quarto e a esbofrteou antes de atirar no rosto a um metro de distância. Em seguida puxou a cortina.

07 fevereiro 2010

Tesouro do tempo




Após dois dias de jipe, a estrada serpenteia em ascensão. A neblina espessa que umedece a minha camisa é a mesma que alimenta a vegetação. Mais um dia de trilha e estarei, dizem, num escondido povoado quilombola que ainda fala o iorubá como seus ancestrais. Será que conseguirei decifrar a envelhecida carta do lendário rei nagô?




08 janeiro 2010

O Regime

É genial observar como, com o passar do tempo, as regras inflexíveis são alteradas. Há muito pouco tempo atrás, todas as farmácias traziam tabelas junto das balanças, que, num quadrinho, informavam que o peso ideal do homem seria a altura em centímetros menos cem, dependendo da a ossatura que poderia ser pequena, média ou grande. Para a mulher seria da mesma forma menos dez quilos. Hoje o peso ideal é calculado pelo IMC - Índice da Massa Corporal em que o peso, em quilos, é dividido pelo quadrado da altura, em metros. O índice varia dentro de limites máximos e mínimos de acordo com a idade. É fantástico por ser mais flexível.
Acredito sinceramente que o melhor índice é o da auto-avaliação com generosas doses de auto-estima em que o paciente se examina frente ao espelho e pergunta se faria amor com uma pessoa com aquele físico. Tire toda a roupa, amor se faz sem roupa. Olhe bem. Belisque-se. Falta? Sobra? Acaricie-se. Faça uma pose. Valorize e admire o que há de bom. Melhore o que pode ser melhorado. Pergunte-se o quê ou como alguém faria para ficar mais interessante aos seus olhos. Copie. Não se preocupe tanto com a opinião dos outros, o principal é você se amar. A tarefa é muito grande? Parece impossível? Nada é impossível. Comece! Comece já! Use artifícios para se amar e se valorizar. Cuide das unhas, as dos pés também, mude o corte de cabelo, use um cheirinho gostoso, faça a barba ou se depile, aposente aquele velho pijama, use algo mais sensual, mesmo que esteja sozinho. Lembre-se que você está se produzindo para você. Fique ereto. A postura é fundamental. Pessoas que olham para o alto vêem o céu, o futuro, a alegria e a luz.
Olhe no espelho de novo, você deu o primeiro passo. Você se enxergou com um pequeno sorriso. Você se valorizou. Pequenos atos trazem grandes modificações, inércia não traz nada. Transforme em rotina os pequenos gestos que cuidam do seu corpo.
Não se acomode, caminhe. Coma com moderação. Isso vale para os gordos e para os magros. Tenha refeições criativas. Varie! Crie um horário para se amar, para fazer algo que seja para o seu prazer. Mude, pare de se queixar da vida e de se acomodar. Chegue em casa e ao invés de ligar a televisão, troque uma lâmpada, pregue um botão, adube o vaso, vá à cozinha e prepare alguma coisa diferente, uma farta salada ou uma panqueca. Arrume aquelas fotografias da gaveta. Organize uma pasta com as contas. Mexa-se. Deixe a panela cintilante, lustre seus sapatos. Dê um brilho no seu ânimo.
Qualquer gesto diferente vai trazer um resultado benéfico para você, você vai se amar mais.
Altere as regras inflexíveis.

※ ※ ※ ※ ※

O Regime - Comentário

Este texto é resultado de um desafio.
Eu estava num barzinho, já devidamente calibrado, e externando com a namorada meu desejo de crescer na escrita. Provoquei que seria capaz de escrever sobre qualquer assunto proposto. Julguei-me muito esperto, pois teria ao menos um dia para pensar e desenvolver o texto se ela apresentasse alguma sugestão naquele momento. Ela, inteligente, perguntou-me se eu seria capaz de apresentar o texto até as dez horas da manhã do dia seguinte. Raciocinei que apesar do álcool eu já poderia ir desenvolvendo o tema mentalmente. E de manhã bastaria digitar o texto. Topei. Aí ela disse: – Pegue a Veja na sua casa e leia o assunto da página 37, propaganda ou não, e desenvolva o texto. Este foi um desfio de verdade. E, por conta do adiantado da hora e dos efeitos etílicos só li o artigo sobre regime alimentar às oito horas do dia seguinte. Às nove, enviei o e-mail com o texto acima. Orgulhosamente, senti-me vencedor.
Às vezes necessitamos de estímulos e provocações. É o que eu procurei transmitir no texto.
Obrigado Haydée.

06 janeiro 2010

Cordel para Roberto Klotz



Revolucionou a própria vida:

Disse basta ao mesmismo...

Deu adeus ao desrespeito:

Ao vício do tabagismo...

Deu um chute na grosseria:

E um chapéu no consumismo...


Maltratado no trabalho:

Pela vã burrocracia...

Não aguentava a empáfia:

No ambiente em que vivia...

Deu um salto para o alto:

Foi em busca da poesia...


Deu-se o segundo basta:

Desentragou a fumaça...

35 anos de estragos:

De uma vida sem graça...

Quer respirar o infinito:

Só para fazer pirraça...


Desgatado o casamento:

Era o terceiro basta...

Desnudou-se da tristeza:

De uma vivência gasta...

Casamento sem amor:

A amizade desgasta...


Vestiu um terno de alegria:

Vida nova começou...

Escreverteu a fantasia:

Seu sonho proliferou...

Aos 50, vida nova:

Nave-pássaro avoou...


O que não queria sabia:

Escritor em construção...

Vendeu a casa já feita:

Mobiliou seu coração...

Desapertou a sua alma:

No apê da imensidão...


Conta a sua própria história:

A vida revolucionou...

Disse basta ao que vivia:

Por muito tempo tragou...

Agora destraga o tempo:

Transpira o tempo que passou...


Paulistano de batismo:

Candango de coração...

Técnica bem humorada:

Expert na criação...

Crônica, conto, poesia:

Sua mente é um vulcão...


Linguajar leve e dinâmico:

Critica se necessário...

Sarcasma e ironiza:

É pensador visionário...

Cria com engenharia:

Cimenta o vocabulário...


Nasceu no século passado:

Trabalhou como engenheiro...

Despertou o escritor:

Acordou o batuqueiro...

Sambeia com as palavras:

Grita para o mundo inteiro...


Ano 2003:

Despetala o escritor...

Um girassol desbrocha:

Avoave beija-flor...

Klotz a palavra navega:

Dá vida ao trovador...


O Dr. Drauzio Varella:

Texto de Klotz publicou...

Incorporou em seu site:

A sua arte divulgou...

Companheiro abandonado:

Que o fumante deixou...


Três livros de crônicas:

"von Silva"...Quase pisei!

Fez Pepino e farofa:

A sua prosa é de lei...

Sábio é quem afirma:

"Só eu sei que nada sei"...


Aos 50, jamais cozinhou:

Obra de caricatura...

Chapéu de mestre-cuca:

Gastronomia,leitura...

Klotz ziguezagueante:

Enxerga na noite escura...


Entusiasmo - Alegria:

A criação libertada...

Primeira pessoa do singular:

Narrativa na jornada...

A vida está na rua:

No percurso da estrada...


Klotz escrevive conversa:

Surpreende o leitor...

Com leveza interpreta:

Quase Pisei! bom humor...

Exercita o pensamento:

Com instinto gozador...


Gustavo Dourado

http://www.blogger.com/www.gustavodourado.com.br

17 dezembro 2009

Fui, mas volto


Você se conectou com a secretária de Roberto Klotz.

Apesar dela ser bonita, simpática, inteligente e gostosa é apenas uma reles secretária eletrônica.

Depois de apreciar o decote e as curvas deixe o seu recado.

Estarei ausente até o final deste ano.

O Papai Noel não vai passar em Brasília, o pessoal daqui não foi bom. As meias e cuecas já estão cheias de corrupção. Vou passar as festas em outro lugar.


Charge publicada no Jornal do Commércio do Ceará

08 dezembro 2009

Impeachment

Eu comemoraria a rapidez com que a Justiça ordenou a desocupação da Câmara Legislativa se a mesma Justiça ordenasse com a mesma rapidez a desocupação da sede do Buritinga.

26 novembro 2009

Zulma é duca


Hora e meia recebemos elogios por textos escritos. Alguns sinceros, outros nem tanto.

A gente acaba se acostumando, embora o ego seja voraz por mais e mais tapinhas de incentivo.

No dia 5 de novembro recebi uma homenagem sem nenhuma palavra. Apenas um gesto. Um gesto de carinho de um dos caras que mais admiro na comunidade Bar do Escritor.

Na imagem do orkut se mostra lendo meu livro Quase pisei!.

Fiquei emocionado.

Zulmar Lopes, conhecido em alguns bares duvidosos de Copacabana como Lameque Eros Hyde da Silva, é duca!

21 novembro 2009

Fiz Chover

Vou ficar rico. Vou ficar muito rico. Descobri a fórmula para fazer chover. É infalível. Descobri através de uma teoria que eu desenvolvi por conta da observação e prática graças à minha larga vivência.
Em primeiro lugar vou oferecer meus préstimos ao nordeste, particularmente à zona do agreste. Depois que todos os açudes estiverem a ponto de sangrar oferecerei meu amparo à região árida da África. Naquelas bandas muita gente também sofre com as agruras da seca.
Uma vez atendidas as regiões carentes passarei a cobrar meus serviços. Em euros. Portugal, França, Itália e Grécia também sofrem muito com as secas. Dos americanos, lá da Califórnia, também cobrarei em euros. Valem mais que dólar.
Difícil vai ser transportar meu carro para todos estes lugares. Não abro mão. Preciso estar sempre com o meu carro.
Aqui em Brasília já estávamos com clima arrasadoramente seco. A umidade chegou a 14%. Gramados esturricados e lábios rachando. Vocês sabem o que fiz?– Lavei meu carro. O que aconteceu? – Choveu e sujou meu carro de novo. – E daí? Daí que lavei o carro de novo. E choveu de novo. Este método é infalível.

19 novembro 2009

Fora de medida


Chego em casa depois de mais um estafante dia de trabalho e a confusão está instalada: madame chora na frente do fogão.

Sempre a tratei muito bem. Quase não lhe falta nada. Hoje, como nos últimos 35 anos, acordei-a com um delicado beijo na testa, preparei o café e misturei colherinha e meia de açúcar. Beijei-a na saída. Melhor dizendo, beijei-a na boca, ao sair. Senti saudades e retornei direto do trabalho para casa ao fim do dia.

Vejo que há uma série de xícaras espalhadas pela mesa da cozinha, um pacote de massa para bolo, um termômetro, a calculadora, alguns ovos de codorna, várias colheres de tamanhos diferentes, a jarra de leite, o pote de margarina derretida e o velho despertador barulhento.

Tomo-a em meus braços e pergunto o que foi que aconteceu.

Soluçando, responde que desejava preparar uma festinha só para nós dois, mas a receita do pacote estava por demais complicada:

BOLO DE CHOCOLATE

Ingredientes:

1

pacote de massa de bolo de chocolate

¾

de xícara de leite

3

ovos

2

colheres de margarina à temperatura ambiente

Misture tudo até formar massa homogênea; Unte e enfarinhe uma forma redonda com furo no meio; preaqueça o forno em temperatura média por quinze minutos; Não abra o forno antes de 30 minutos; após esfriar por 15 minutos, desenforme e sirva.

– Veja só quantas xícaras diferentes nós temos aqui: a do seu café, aquela outra de plástico, a do jogo de porcelana que ganhamos no nosso casamento... e todas têm tamanhos diferentes, – Ovos podem ser de codorna, de pata, de galinha caipira, brancos, de páscoa e... Enxugando as lágrimas. Qual dessas colheres? Uso a do diário ou devo usar a do faqueiro de prata?

Segurei-a pela mão, arrastando-a até a sala. Acomodei-a no sofá. E fui buscar dois cálices. Enquanto servia um porto, protestei:

– A culpa é da impunidade! Neste país as pessoas fazem o que querem e ninguém é responsabilizado por nada. Passam nos sinais vermelhos, assaltam, não fecham as pastas de dentes... Todos esses calhordas deveriam ser exemplarmente punidos! Para que serve o Instituto Nacional de Pesos e Medidas? Vou entrar com medida cautelar, seja lá o que isso queira dizer!

Irado, continuo meu protesto:

– Cientistas do mundo inteiro se reúnem, estudam e definem que quilograma é a massa do protótipo internacional constituído por um cilindro de platina e 10% de irídio depositado no Bureau Internacional de Pesos e Medidas, e ainda que o metro é igual ao comprimento do trajeto percorrido pela luz no vácuo durante um intervalo de tempo de 1/299 792 458 de segundo e... que diabos!

Virei o cálice de vinho para lubrificar a garganta e continuei:

– Estes fazedores de receitas culinárias estão nos cozinhando! Como vamos definir o que é uma pitada? Quantas gramas? Uma colher rasa de farinha? Então, além das colheres de chá, sopa e sobremesa, ainda podem ser cheias, bem cheias e rasas? Aí, ainda tem a história de meia xícara, três quartos de xícara ao invés de dizerem que se trata de tantos mililitros. Tenham a santa paciência! Forno à temperatura média. Estes escritores de receita deveriam cumprir pena com trabalhos forçados.

Sirvo-me de outra tacinha de porto, viro de um só gole e continuo no meu discurso:

– A falta de uniformização das medidas é um retrocesso para a nossa nação. Sucrilhos, macarrão instantâneo, molho de tomate, geléia, coco ralado, sapatos... Nada está padronizado. Estamos a léguas de distância dos povos desenvolvidos!

Resolvi respirar e dar um dedo de prosa:

– Querida, você sempre soube preparar comidas maravilhosas. Jamais precisou de enciclopédias para preparar um simples bolo de chocolate. O que foi que houve? De verdade?

– Bom, eu só tinha ovos de codorna. Então quis saber quantos ovos de codorna seriam equivalentes a um de galinha. E, principalmente queria saber onde você havia escondido a garrafa de vinho do porto.

01 novembro 2009

Antologia


– Ó, von Silva, o que é antologia?
Mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo não faria essa pergunta. Se eu fosse o Raimundo que amava Maria que amava Joaquim, eu também não saberia a resposta. O meu nome é von Silva, não tenho outro de pia.
Se eu estivesse na repartição seria normal este tipo de pergunta. Estou longe de qualquer dicionário porque hoje é sábado. Essa Rosa radioativa estúpida e inválida não deveria ter feito esse questionamento.
Perdido, sem lenço e sem documento, nada no bolso ou nas mãos, procuro uma respo
sta. Desejei me esconder, desejei ir para Minas, Minas não há mais, quis morrer no mar, mas o mar secou. Vou-me embora pra Pasárgada, lá sou amigo do rei. Volto para a minha terra que tem palmeiras onde canta o sabiá, que tem cadeiras onde posso sentá e procurar um desmancha-dúvidas.
Meu reino por um dicionário!
Deus, ó Deus, onde estás que não respondes? Preciso urgente de um pai-dos-burros.
Queixo-me da Rosa, mas a Rosa não fala, simplesmente perguntou o significado de antologia.
Para todas as coisas: dicionário, para que fiquem prontas: paciência. Rosa não tem paciência. Quer resposta. Tem uma pedra no meio do caminho, cadê o maldito tira-teimas?
Toda pedra no caminho você pode retirar. De repente, não mais que de repente surge o salvador e consulto o verbete:

“Coleção de trechos em prosa e/ou em verso.”
– Obrigado, Aurélio!

Aurélio, garoto esperto, informa também que intertextualidade é a superposição de um texto a outro.
– Mais uma vez, obrigado, Aurélio!


Pesquisa para o texto Antologia

“Mundo, mundo, vasto mundo. Se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução.” – O gauche – Carlos Drummond de Andrade
“João que amava Tereza, que amava Raimundo, que amava Maria, que amava Joaquim, que amava Lili.” – Quadrilha – Carlos Drummond de Andrade
“O meu nome é Severino. Não tenho outro de pia.” –Morte e vida severina – João Cabral de Melo Neto
“Porque hoje é sábado.” – O dia da criação – Vinícius de Moraes
“A rosa hereditária. A rosa radioativa estúpida e inválida.” – A Rosa de Hiroshima – Vinícius de Moraes
“Sem lenço e sem documento, nada no bolso ou nas mãos.” – Alegria, alegria – Caetano Veloso
“Quero ir para Minas, Minas não há mais, quer morrer no mar, mas o mar secou.” – E agora, José? – Carlos Drummond de Andrade
“Vou-me embora pra Pasárgada, lá sou amigo do rei.” – Vou-me embora pra Pasárgada – Manuel Bandeira
“Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá, as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá.” – Canção do exílio – Gonçalves Dias
“Meu reino por um cavalo!” – exclamou Ricardo III na Guerra das Duas Rosas, conforme William Shakespeare
“Deus, ó Deus, onde estás que não respondes?” – Vozes d'África – Castro Alves
“Queixo-me às rosas, mas que bobagem, as rosas não falam, simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti, ai.” – As rosas – Cartola
"Para todas as coisas: dicionário, para que fiquem prontas: paciência." – Diariamente – Nando Reis
“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho.” – No meio do caminho – Carlos Drummond de Andrade
“Toda pedra no caminho você pode retirar.” – É preciso saber viver – Roberto Carlos e Erasmo Carlos
“De repente, não mais que de repente, fez-se de triste o que se fez amante.” – Soneto da separação – Vinícius de Moraes
“Se você rouba de um autor, é plágio, se de vários, é pesquisa.” – Wilson Mizner

29 setembro 2009

20 setembro 2009

Meu carro


Os vidros são claros: nada tenho a esconder. Tem ar condicionado: não preciso de desculpa para ventilar perfumes diferentes do seu. A cadeirinha da nenê mostra meu orgulho de ser pai. O crucifixo pendurado no espelho indica que meu carro é um local sagrado.

Quanto ao brinco encontrado, tenho certeza que você o colocou aí só para testar a minha fidelidade.

19 setembro 2009

Estou com medo!


Já conversei com uma viúva. Anteontem faleceu uma amiga de amiga. A gripe suína está entre nós.
O governo não está preparado e não tem plano contra a gripe.
O Brasil rico que empresta dinheiro para o FMI não tem grana para adquirir as vacinas e está economizando.
Deveriam imunizar os pacientes suspeitos na primeira consulta. Brigar contra a gripe. Atacar os focos em vez de permanecer na defensiva, poupando vacinas e esperando a gripe atingir toda a população.
Que esqueçam o sonho do Présal e cuidem da realidade. Há motivos para alarme, sim. Esta também não é nenhuma marolinha.
Se não há vacinas, agora, para os poucos pacientes, teremos o caos instalado muito breve quando os pacientes contagiados se multiplicarem feito moscas.
Apodreceremos nas calçadas e o governo não terá de quem cobrar impostos

03 setembro 2009


Pepino e farofa é um livro de crônicas culinárias resultantes de 50 anos de inexperiência no comando de um fogão. São histórias inteligentes, criativas e bem humoradas onde a comida é o prato principal.

No divã do psicanalista convence que o milho afasta a depressão e a solidão. Uma formiga em cima da bancada é motivo para uma fábula. Explica como um violão pode influenciar na preparação do almoço.

O autor diz que só foi possível escrever o livro graças à sua mãe que, na infância, incentivou-o a brincar de carrinho em vez de comidinhas e panelinhas. Descobrirá que Neil Armstrong não disse que Pepino e farofa é um pequeno livro para o homem e um grande livro para a humanidade. Enfim, são 48 aventuras temperadas com bom humor.

Edição da LGE, com o apoio do FAC. Tem 160 páginas.


Quase pisei! É um livro de crônicas com temática andante. Os mortais caminham, Klotz viaja na criatividade. Com escrita na primeira pessoa do singular, convence os leitores de que tudo é verdade e que aconteceu com ele. Também nos dá a impressão que o mundo só começa a acontecer quando calça o tênis e sai para a rua. Seu olhar de cronista sempre está atento através de lentes irônicas, bem humoradas e às vezes poéticas, quando coloca os óculos líricos. O entusiasmo e a alegria do autor são contagiantes.

Edição do autor, com o apoio do FAC. Tem 160 páginas.


Roberto Klotz é um engenheiro que saltou do topo do prédio recém-construído e estilhaçou-se em parágrafos. Nasceu no século passado. Bem-humorado, crítico, vacinado, analfabeto, irônico, paulistanamente candango. Suas histórias muitas vezes têm finais surpreendentes. Enquanto aprendia a cozinhar, escreveu Pepino e farofa, um livro de aventuras culinárias, engordou de tantas pizzas encomendadas. Para perder peso, o médico recomendou que caminhasse. Durante as caminhadas encontrou elefante, lâmpada mágica, cão bravo, pegadas de onça, muito cocô e 45 motivos para exercitar o bom humor em Quase pisei!


Os livros de crônicas Pepino e farofa e Quase pisei! podem ser adquiridos diretamente com o autor.

Cada exemplar custa R$ 28,00 para entregas no Plano Piloto em Brasília.

Para todos os outros lugares do Brasil, com a postagem, custa R$ 30,50

2 exemplares na mesma remessa saem por R$ 59,80

3 exemplares na mesma remessa saem por R$ 89,40

Para saber quem efetuou os depósitos acrescentarei alguns centavos identificando o número do pedido.

Faça seu pedido através do e-mail r-klotz@uol.com.br, fornecendo a quantidade desejada, o endereço para a entrega e nome para a dedicatória, se desejar.

Responderei informando o valor exato e fornecendo conta corrente do BB para crédito bancário.


 
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