Uma escada para o desconhecido... O que se encontra no topo da escada? Que sentimentos assaltam a mente ao pisar cada um dos 13 degraus ferrugentos?
Maldita hora em que desci do táxi. Julguei que apenas em filmes de terror e pânico existissem lugares tão sujos, escuros e habitados por seres com doenças estampadas nas caras e corpos. Sinto-me como um bife suculento jogado no meio de feras esquálidas de fome. Minha única saída é uma escada ferrugenta. O azar me persegue. São 13 degraus para sair do inferno e entrar num túnel de concreto escuro. Na melhor das hipóteses encontrarei apenas morcegos. Não tenho outra opção.
Por que eu deveria sentir medo? Quase todo dia eu ia pescar na beira do rio, lá no fundo de casa. Só que já era noite. Noite de vento gelado e de poucas estrelas. Diziam que à noite a alma do velho do rio procurava algum corpo para encarnar. De tarde, eu esquecera o canivete do papai junto ao pé da árvore. Se ele descobrisse o sumiço, eu apanharia de cinta. A lanterna estava sem pilhas, nem adiantaria levar uma vela. O vento assopraria. Eu conhecia bem o caminho, nem 20 minutos e estaria de volta. Quando trisquei a mão no canivete, uma coruja, bem na minha cabeça, deu um grito rasga-mortalha. Voltei em 10 segundos. Não lembro se peguei o canivete ou se apanhei de cinta. Ainda ouço o grito da maldita.
É comum ler algum livro e ficar impactado. Para mim, o livro que fez a diferença foi Chatô, o rei do Brasil de autoria de Fernando Morais. Sempre evitei biografias ou livros grossos. O livro empoeirou na estante antes que eu aceitasse o desafio. Seguramente foi o livro que mais me impressionou em toda vida. Pela figura carismática, polêmica, empreendedora e nada ética de Chateaubriand e também pela forma com que o livro foi escrito. Considero o livro uma fantástica aula de história por proporcionar ao leitor o cenário de cada episódio. O resultado das pesquisas é maravilhoso. Fernando Morais conseguiu fazer com que eu acompanhasse a vida de Chateaubriand como se eu estivesse sentado ao lado da figura ao longo de toda a sua vida.
Tive a honra e o privilégio de conversar com o autor na noite de 4 de junho no T-Bone, pouco antes da palestra sobre o livro O mago, biografia de Paulo Coelho. No evento dediquei uma cópia do meu livro Pepino e farofa e entreguei uma cópia de um e-mail enviado em 2006.
Enviado em: terça-feira, 28 de novembro de 2006 23:13
Prezado Fernando,
Foi uma alegria enorme ouvir sua conversa no Sempre um Papo. Tentei enviar um e-mail há dois anos, após outra apresentação sua aqui em Brasília. Os entregadores do correio eletrônico simplesmente carimbaram: devolver ao remetente, endereço não localizado. O envelope amarelou um pouco, mas faço questão de entregar o conteúdo intacto. Já estou curioso para percorrer as páginas de Montenegro. Meu pai foi piloto da FAB na segunda guerra, tirou brevê em aeroclube fundado por Chatô; meu irmão estudou no ITA. Há identificação novamente, como em Chatô. Aliás conversei longamente com uma tia cujo pai foi adido diplomático em Londres à época do Embaixador Chateubriand e com outra tia cujo marido doou, à revelia, avião para o aeroclube de Poços de Caldas. Quero saber quem vai escrever a biografia de Fernando Morais.
Abraços, Roberto Klotz
Enviado em: sexta-feira , 26 de março de 2004
Prezado Fernando,
Há duas semanas soube que você estaria no Sempre um Papo. Quem é Fernando Morais? No site do Sempre um Papo havia a referência aos Olga, Ilha e Chatô. Fui conferir minha estante e lá estava Olga. Chatô estava pertinho. O primeiro livro, lembro ter devorado vorazmente em pouco dias. O segundo, pelo assustador tamanho, estava entre as preciosidades que “ainda vou ler um dia”. Essa era a hora. Ler rapidamente para conhecer um pouco do autor antes da sua presença em Brasília. Não deu tempo, é lógico. Só agora estou pela metade. Sempre tive muita curiosidade em saber dos mistérios de poder do Velho Capitão. Na memória um registro dele trajando elegante fraque encimado por brilhante cartola. Como paulistano passei na frente da Casa Amarela várias vezes, parei para ver os colibris confinados naquela enorme gaiola. Tive a oportunidade de vê-lo uma vez. O que mais aguçava minha curiosidade, foi ter visto no MASP, ainda na Rua 7 de Abril, uma obra de Renoir com uma nota de agradecimento à família Lundgren pela doação. Os Lundgren são parentes e meu pai teve convívio bastante próximo na década de 50. Ainda menino, elogiei o desprendimento na doação desta magnífica obra. Meu pai apenas mencionou que não se tratara de benemerência e sim de resultado de chantagem. E que teria sido desta forma que Chateubriand teria montado o maior museu do hemisfério sul. Um dia eu precisava tirar isso a limpo.
Que aula de história! Chateubriand consegue estar presente em todos bastidores dos momentos importantes e fazer o mundo girar na velocidade e sentido que lhe interessam. Além da fantástica biografia, chamaram-me à atenção em seu livro o volume da pesquisa, a quantidade de entrevistas e a profusão de colaboradores. Seu senso de organização, trabalho e acima de tudo contatos são destaque. Trabalho dos mais complexos sem dúvida é motivar uma equipe tão grande e multidisciplinar em diversos cantos. Destaque genial e divertido é o vocabulário léxico do polêmico Chateubriand. Nauseabundo, poltrão, sacripanta, celerado, torvo, flibusteiro, bufarinheiro e frascário foram alguns dos adjetivos nada delicados aplicados pelo protagonista.
Sou apenas mais um entre centenas de seus leitores, mas com certeza li com muito interesse, entusiasmo e admiração o seu fantástico e equilibrado trabalho. Parabéns!
No Sempre um Papo ainda pude extrair um incentivo da sua parte. Você comentou que visitava uma livraria nos Estados Unidos e que havia todo um andar de biografias e não apenas uma estante, ao contrário da sua expectativa brasileira. Que havia duas dezenas de biografias de Jaqueline Kennedy enquanto não temos sequer de todos os ex-presidentes. Não sou escritor nem jornalista embora tenha prazer em escrever crônicas para consumo próprio. Sempre tive muito orgulho do trabalho dos meus dois avós, o paterno era engenheiro e construiu estradas de ferro e o materno era pintor acadêmico, e jamais encontrei nada nos livros à respeito deles. Você sinalizou e incentivou. Obrigado pela dica e pela força.
Rosto liso de preocupações, olhos faiscando hormônios, cabelos ao vento, calça justa, peitos apontando para o céu brilhante.
Olhei minha neta. Vá, vá viver a vida.
Cedinho, na padaria, um menino chamou-me bruxa velha. Chorei o dia inteiro não ter vivido outros homens. Somente o vovô. Que já morreu.
Vá, minha querida, beije muito. Beije muitos. Beije muito muitos. Beijo na boca. Beijo de língua. Muita língua. Beije. Sugue poemas.
Hoje, meu aniversário, 82 anos, meus cabelos estão em neve, as mamas apontando para o inferno opaco. Sobrou-me apenas o pau da vassoura entre as pernas.
Meu amigo ganhou uma cadelinha vira-latas. Batizou-a Puta.
Todos a chamam Puta. Todos a chamam por esse nome. Ela abana o rabo feliz. Jamais mordeu quem a chamasse pelo nome.
Só entendi a escolha do meu amigo quando a cadela cresceu e teve filhotes. O primeiro recebeu o nome de Presidente. Depois vieram Ministro, Senador, Deputado, Prefeita e outras mais.
A velha diretoria reunida nos subterrâneos divide a rapina. O sócio novo, no ensolarado vigésimo andar, frente ao computador transfere tudo para sua conta particular.
Meu casamento fracassou. Ainda sinto ternura por ela quando me abraça por trás e me envolve com seus braços. Pena que não tenha barba para me arranhar.
Não aceito, não perdôo esse idiota que se comprometeu a não beber e levar e trazer minha filha para a formatura. Transformou amor em ódio. Glória em funeral.
O outono pintou meus cabelos de branco. Exemplo de mãe, tia, avó. Família, família, família. Cozinheira e educadora. Seios apenas para alimentar. Sexo apenas para gerar. Sinto os calorões da idade. Abro a janela e me refresco com um raio de sol sobre o musculoso jardineiro podando meu passado.
De advogada respeitada entre pisos de granito e poltronas de couro transformou-me em barata fétida. Minha vingança será afogar-me na reunião do conselho, bem na sua xícara de café.
Hoje é Páscoa. Domingo de Páscoa. E domingo é dia de caminhar no Eixão. Espalho protetor solar no rosto e braços, faço alongamentos e disparo para a rua. O sol do outono é abrandado por suaves ventos do nordeste sugerindo chuvas no período da tarde. Ainda penso na Páscoa e que o pessoal de propaganda do Mago sugere a distribuição de livros em vez de ovos de chocolate. Livros de Paulo Coelho. Coelhos lembram fertilidade. Fertilidade lembra coelhas e coelhinhas atiçam meu instinto masculino. Presto atenção nos rebolados e decotes caminhantes, femininos, claro. Caminhar é muito bom para a saúde e para a mente. Podemos pensar, refletir e resolver os problemas do mundo. Acho que prefiro observar. Sou voiê. Acompanho tudo o que se passa em volta. Entre outras coisas, presto atenção nos atletas. Percebo o que está na moda e o que não está. Cabelo com rabo-de-cavalo é moda. Tênis colorido continua moda. Aquele senhor barrigudo com a camiseta branca estufada dentro da bermuda jeans com uma pouchete presa no cinto social e meias brancas até o meio das canelas definitivamente está fora de moda. Olho e vejo tudo. Coisa engraçada são os três irmãozinhos apostando corrida de bicicleta e gritando para todos saírem da frente. Coisa animal é o cachorrinho de apartamento sendo levado no colo. Meu passo apressado pára na altura da 203 Norte. Um casal está jogando um pedaço de pau numa árvore tentando derrubar frutas. Olhei bem para aquela árvore alta, de tronco liso e retilíneo Em resposta à minha pergunta informaram que era jenipapo. Tomei a liberdade de aproximar do nariz e aspirei um perfume ligeiramente adocicado num fruto marrom do tamanho de uma laranja. Perguntei se fariam licor e disseram que comeriam a polpa com açúcar. Achei constrangedor pedir para abrir a fruta e fiquei sem saber como é. Voltei para o meu caminho. Já estou longe de casa. Vou andar só mais um pouquinho. Só até aquela placa. Não, até aquela coelhinha passar. Faço a volta e vou ficar olhando a coelhinha seu rabinho a balançar. Foi o que eu fiz. Segui a coelhinha. Que coelhinha apressada! Os olhos seguiam a coelhinha e o pensamento fixo no jenipapo. Acho que a primeira vez que ouvi falar em jenipapo foi em meados dos anos 70, quando na novela Bem Amado, o Coronel Odorico Paraguaçu era servido do afrodisíaco licor de jenipapo pelas irmãs Cajazeiras. Primeiro era servido, depois se servia. É muito estranho a gente conhecer alguma coisa e não conhecê-la ao mesmo tempo. Nunca fui apresentado a um jenipapeiro. Fiquei frustrado por não conhecer a fruta por dentro. Será que é preta? Os índios se utilizam do urucum para pintar a pele de vermelho e de jenipapo para o preto. O jenipapo é o corante usado nos cestos e vasos. Quando terei nova oportunidade? O jenipapo era o assunto da mente. A coelhinha, dos olhos. Olhei novamente para a coelhinha e, para os meus olhos, carregava saltitante uma cestinha cheia de ovos multicoloridos. Será que o coelho da Páscoa quando pinta os ovos usa corante de jenipapo?
Local: Livraria Cultura no CasaPark Shopping Center - Brasília-DF
É a sua oportunidade de conseguir uma dedicatória personalizada. Você pode, inclusive, ditar o que desejar. Eu escreverei. Para Vinícius, anotei: Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça é Pepino que vem e que estilhaça, caminho do lar.
Saímos da aula com o dever de anotar até o fim do dia, flashes motivadores para uma crônica.
Na porta do prédio encontramos com um senhor de uns 70 anos vestido com roupa domingueira. Pediu-nos dinheiro para voltar a Pirapora. Contou-nos, em lágrimas choradas de dor que fora assaltado na Rodoviária. Era preciso alguma coisa mais impactante para servir de mote. E seguimos caminho até um shopping. Compramos o que deveria ser comprado e retornamos ao estacionamento. Uma camionete estacionara em fila dupla fechando o nosso carro. Solicitamos a um guarda que nos ajudasse a empurrar o veículo obstruidor ou que o multasse. O guarda deu de ombros e disse que era tarefa do lavador de carros e virou-nos as costas. Também não era assunto merecedor de uma crônica opinativa. Muito engraçada foi a cena que vimos logo depois: a mocinha escancarou a porta do seu automóvel e em seguida abriu um guarda-chuva. Medrosamente esgueirou-se e colou a cabeça no guarda-chuva. Não queria se molhar em hipótese alguma. A vaidosa moça certamente passara o dia no cabeleireiro. Foi engraçado porque não estava nem chuviscando. Era um episódio muito ridículo para ser anotado. Chegando em casa vi imagens de um pavoroso incêndio na indústria química instalada entre residências. Considerei o tema óbvio demais para ser registrado.À noite fomos ao aniversário e posse de um amigo na Academia de Letras de Brasília.Comentamos que aquele era o desejo de todo homem, ter saúde, inteligência e naquele momento ser tornado imortal. Também não anotamos o que ponderei ser obviedade.Já em casa fiquei feliz. Ele deitou-se na cama enquanto e eu deitei-me no criado mudo. Por preguiça de gastar a minha tinta, convenci-o de que nada valia a pena ser escrito.
Ignácio de Loyola Brandão se apresentou no dia 19/03/09 no T-Bone, Açougue Cultural.
Para quem não o conhece, devo dizer que se trata de um dos expoentes da nossa literatura com mais de 30 títulos, incluindo o romance O Menino que Vendia Palavras, vencedor do Prêmio Jabuti de melhor livro de ficção do ano de 2008.
Depois da palestra procurei-o para solicitar uma dedicatória no fantástico livro autobiográfico, Veia bailarina onde relata o drama de uma cirurgia bem sucedida d 11 horas contra um aneurisma cerebral.
Ofereci o meu recém lançado livro Pepino e farofa. Para minha surpresa, Ignácio levou o livro ao nariz para aspirar os aromas das minhas aventuras culinárias.
Os cronistas sempre enriquecem fatos e imagens. Não é mesmo, mestre?
*****
Por enquanto a venda de Pepino e farofa será direta, do autor para o leitor.
O livro custa R$ 28,00 para entregas no Plano Piloto em Brasília.
Para todos os outros lugares do Brasil, com a postagem, custa R$ 30,50
2 exemplares na mesma remessa saem por R$ 59,80
3 exemplares na mesma remessa saem por R$ 89,40
Para saber quem efetuou os depósitos acrescentarei alguns centavos identificando o número do pedido.
Faça seu pedido através do e-mail r-klotz@uol.com.br, fornecendo a quantidade desejada, o endereço para a entrega e nome para a dedicatória, se desejar.
Darei o retorno informando o valor exato e fornecendo conta corrente do BB para crédito bancário.
Estávamos sentados à mesa da varanda. Trêscasais. A lua apontava cheia, criando umclima romântico juntocom a descontração da tarantela Funico Li Funico La.
A conversaalegre unia o grupo. A terceiragarrafa de chianti já estava no final. O cheiro da manjerona do molho à bolonhesa ainda estava no arquandoveio o elogio.
– Parabéns. Adorei o jantar. Disseram quevocêsó sabia fazerpizza, miojo ouesquentarlasanha. Aquivocê extrapolou. A massa estava esplêndida. Comovocê fez?
– Obrigadopeloelogio. Umamigo italiano passou a receita herdada da avó. A nonaera de Modena, cidadevizinha a Bolonha.
Para fazer a massaficarperfeita temos queir aos detalhes. Não é suficiente uma toalhaverde e guardanaposvermelhos. É precisomuito mais.
Comece na escolha da massa. O espaguete deve sernúmero10. Acadacemgramas de massa ferva umlitro de águacomdezgramas de sal. Acrescente o sal na águasomenteapós a fervura. Não coloque azeitenemóleo na água, senão a massa fica escorregadia e o molhonão adere.O maisdifícil é acertar o pontopara a massaficaral dente, ou seja, firme o suficienteparasersentidanosdentes.
– Depois de todosestesdetalhes, imagino que o molho deve seralgo super complicado e difícil.
– O molho é o maissimples. Refogue 500 gramas de carne moída de primeirajuntocom uma cebola ralada e umdente de alho picado. Acrescente uma lata de extrato de tomate, salsa, orégano e tomilhofrescos. Uma colher de açúcar, trêscolheres de azeite e meia de sal. Adicione umcopo de águaquente e mexa emfogobaixodurante vinte minutos.
– Será que posso anotar a receita?
– Fique à vontade. Tenho caneta e papel na cozinha. Ao lado do telefone.
...
– O que é isso?... O que aconteceu?
Após o grito de espantotodos levantaram correndo curiosospara a cozinha.
– O quesãoestesfios de macarrão grudados na parede?
– É que o italiano me explicou que a massa fica no ponto de al dentequando gruda no azulejo.
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Esta crônica está em Pepino e farofa.
Por enquanto a venda de Pepino e farofa será direta, do autor para o leitor.
O livro custa R$ 28,00 para entregas no Plano Piloto, em Brasília.
Para todos os outros lugares do Brasil, com a postagem, custa R$ 30,50
2 exemplares na mesma remessa saem por R$ 59,80
3 exemplares na mesma remessa saem por R$ 89,40
Para saber quem efetuou os depósitos acrescentarei alguns centavos identificando o número do pedido.
Faça seu pedido através do e-mail r-klotz@uol.com.br, fornecendo a quantidade desejada, o endereço para a entrega e nome para a dedicatória, se desejar.
Retornarei informando o valor exato e fornecendo conta corrente do BB para crédito bancário
Há dias nublados em que estou com médio apetite e devo preparar alguma coisa na cozinha. Chegou a hora da janta. A falta de inspiração me leva a abrir a geladeira e vasculhar todos os cantos e gavetas à procura de alguma solução sem esforço. Por preguiça não abro aqueles potinhos plásticos com lembranças de outras refeições. Tampouco investigo o que contêm aquelas dezenas de vidros da porta da geladeira. Fico incomodado ao ouvir o açucareiro na geladeira gritando que devo iniciar urgente mais uma guerra inútil contra as formigas. Até a garrafa d’água está quase vazia. Melhor que as formas de gelo.
– Pizza? Lasanha? Miojo? De novo, não!
Sempre ouço que deveria, nestes tempos frios, tomar uma saudável sopa, um salutar caldo ou um robusto creme. Isso é comida de maricas! Homem que é homem come pizza, lasanha e miojo. Tudo misturado. E depois vomita! Argh! Hoje não tenho que provar nada para ninguém. Afinal, estou sozinho.
– Nada como uma cervejinha para clarear a mente e a urina!
Vou ao micro e acesso a internet. Receitas culinárias? Nem pensar. Vou para uma sala de bate-papo para descobrir alguma alma caridosa que saiba preparar algo leve e saboroso para aplacar minha fome.
Salas de bate-papo sempre têm um tema em discussão, dessa forma muitas pessoas se encontram virtualmente: cada uma se conecta a partir de um micro. Os temas são variados: seleção brasileira com 38 interessados; literatura com 3 presentes; carros com 7 participantes; sexo, com 92 pessoas – Isso não é sala de bate-papo, é orgia. Antropologia, sala vazia; culinária, 6 participantes, é aí que eu vou.
Insiro meu nome e uma pergunta:
– Alguém aí sabe como preparar alguma coisa fácil e rápida? Eu sou totalmente leigo na cozinha e estou com vontade de comer algo leve.
Fico feliz com uma boa recepção. Todos me desejam boa-noite e uma Sônia muito prestativa informa que tem a solução para mim: Carrotes au Charbon.
Informo que nada entendo de cozinha e menos ainda de francês.
Ela foi muito gentil e disse que deveria ir para a cozinha descascar 2 cenouras, cortar em rodelas e colocar em uma panela com fogo alto. Ela aguardaria meu retorno para novas instruções.
Feliz com a solução. Vou à cozinha velozmente cumprir aqueles passos da receita.
Retorno ao micro, entro na sala e procuro por Sônia.
Sônia me aguardava.
– Este é um prato no qual eu sou especialista. Aprendi com meu avô. Ele era francês, um tremendo gozador e um excelente cozinheiro. Sabia preparar pratos com muita rapidez e com sabor inigualáveis. Já ensinei esta receita para muitas amigas e três namorados. Todos o consideraram um prato inesquecível. Você será o próximo a dar sua opinião.
– Sônia, rápido, qual é o próximo passo? Estou sentindo cheiro de queimado!– Parabéns, sua receita já está pronta. Carrotes au Charbon significa cenouras ao carvão.
Terça é o grande dia! Hora de provar as deliciosas crônicas culinárias Pepino e farofa.
3 de março, a partir das 18h no Carpe Diem, 104 Sul.
A noite contará com a pessoa mais importante do universo: você.
O autor, Roberto Klotz, recebeu diversos telegramas onde famosos não disseram:
Neil Armstrong–Umpequenolivropara o homem, umgrandelivropara a humanidade.
Dorival Caymmi – Quemnãogosta de Pepino e farofa, bomsujeitonão é. É ruim da cabeçaoutotalmente lelé.
Jânio Quadros – Li-lo porque qui-lo.
Esfinge – Leia Pepino e farofaoute devoro.
O agente de divulgação trabalhou tão bem, que sumiu até com a máquina de passar cartões.
Leve um arcaico talão de cheques ou dim-dim.
No blog há informações para aquisição via postal.
Por enquanto a venda de Pepino e farofa será direta, do autor para o leitor.
O livro custa R$ 28,00 para entregas no Plano Piloto em Brasília.
Para todos os outros lugares do Brasil, com a postagem, custa R$ 30,50
2 exemplares na mesma remessa saem por R$ 59,80
3 exemplares na mesma remessa saem por R$ 89,40
Para saber quem efetuou os depósitos acrescentarei alguns centavos identificando o número do pedido.
Faça seu pedido através do e-mail r-klotz@uol.com.br, fornecendo a quantidade desejada, o endereço para a entrega e nome para a dedicatória, se desejar.
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Agora pisei - Quando caminho o mundo acerta o passo comigo. Tudo acontece, tudo vejo, tudo anoto. Nascem histórias curtas, criativas e com finais surpreendentes. Vi tubarões na calçada, telhas assassinas, a perda filosofal. 164 páginas a R$ 40, - dedicatória e correio nacional inclusos.
Manual do escritor – Dicas e ferramentas para quem quer escrever e publicar um livro.
Aprender a técnica literária potencializará seu talento. O conhecimento não serviria de nada para a pessoa sem talento, mas aumenta o alcance de quem a possui.
A prática comprova que pequenas mudanças e melhorias fazem a diferença entre competidores e vitoriosos.
Com bom humor, o autor procurou reunir e compartilhar o que considera mais significativo para o desenvolvimento do ofício da escrita até a publicação do seu livro.
224 páginas a R$ 40,00
Cara de crachá - São 44 histórias vivas, rápidas, inquietas. Capazes de renovar fígados envenenados com tristeza. O protagonista, von Silva, é envolvente. Com ele descobrimos oque há por trás do crachá de um funcionário público. De humor particular aponta o lápis na direção do cotidiano de um usuário de carimbos, há 35 anos na mesma repartição. Esse funcionário só podia mesmo ter Cara de crachá.
160 páginas ao preço de R$ 30,00
Livro: Pepino e Farofa
Pepino e farofa são crônicas bem humoradas resultantes de 50 anos de inexperiência no comando de um fogão onde a comida é o prato principal.
No divã do psicanalista convence que o milho afasta a depressão e a solidão. Uma formiga em cima da bancada é motivo para uma fábula. Explica como um violão pode influenciar na preparação do almoço.
Só foi possível escrever o livro graças à minha mãe que, na infância, incentivou-me a brincar de carrinho em vez de comidinhas e panelinhas.
160 páginas ao preço de R$ 30,00
Quase pisei!é um livro de crônicas com temática andante. Os mortais caminham, Klotz viaja na criatividade. Com escrita na primeira pessoa do singular, convence os leitores de que tudo é verdade e que aconteceu com ele. Também nos dá a impressão que o mundo só começa a acontecer quando calça o tênis e sai para a rua. Seu olhar de cronista sempre está atento através de lentes irônicas, bem humoradas e às vezes poéticas, quando coloca os óculos líricos. O entusiasmo e a alegria do autor são contagiantes.
160 páginas ao preço de R$ 30,00
Quer um livro(s)? Por favor, envie seu endereço para robertoklotz@gmail.com
Roberto Klotz é um engenheiro que saltou do topo do prédio recém-construído e estilhaçou-se em parágrafos. Nasceu no século passado. Bem-humorado, crítico, vacinado, analfabeto, irônico, paulistanamente canadango. Suas histórias muitas vezes têm finais surpreendentes. Enquanto aprendia a cozinhar, escreveu Pepino e farofa, um livro de aventuras culinárias, engordou de tantas pizzas encomendadas. Para perder peso, o médico recomendou que caminhasse. Durante as caminhadas encontrou elefante, lâmpada mágica, cão bravo, pegadas de onça e 45 motivos para exercitar o bom humor em Quase pisei! A vida continua e aí, o álter ego, von Silva tornou-se personagem de Cara de crachá, um funcionário público que carimba bom humor dentro e fora do expediente.De tantas anotações de oficinas literárias, ora sentado prestando atenção, ora de pé ministrando aulas, resultou o pedido de partilhar o conhecimento que gerou o Manual do escritor.Conquistou mais de 40 prêmios literários. Foi Conselheiro de Cultura na Secretaria de Cultura do DF. É jurado de concursos literários e promove oficinas de escrita. Saltou do prédio por saber-se imortal. Ocupa uma cadeira na Academia de Letras do Brasil – DF.