18 dezembro 2008

BOAS FESTAS

Amigos,

Tomara que Papai Noel atenda a todos os pedidos.

E que 2009 seja ainda melhor que 2008.

Com um abraço,

Klotz

15 dezembro 2008

Pipoca


Hoje é sexta-feira, começo do fim de semana. Dia de cinema. Dia de alto astral. Deveres cumpridos e descanso merecido.

Chego em casa com duas comédias trazidas da locadora.

Banho tomado, roupa confortável, pés descalços e telefonema da namorada dizendo-se companhia para o filme e para a pipoca.

Para minha surpresa, vejo que no armário onde deveriam estar os saquinhos de pipoca para microondas, eu encontro apenas um caixa de goiabada.

Não sou quadrado! Eu me viro!

Acho que ela não vai gostar de comer goiabada vendo filme. E se eu colocar no microondas? Acho que também não vai gostar.

Chinelo no , vou à padaria. tem milho para pipoca de panela.

Não tem para microondas?

Me enchi de idéias, comprei um pacote de milho e ainda dois pães franceses.

em casa, procurando por pipoca, nada encontrei, nem no índice do velho livro da Dona Benta.

Como é que não tem nada?

Naqueles tempos nem havia microondas!

Não sou quadrado. Eu me viro!

Cheio de autoconfiança e criatividade, pego o saquinho dos pães franceses e coloco duas xícaras cuidadosamente medidas do milho recém-comprado.

Feliz por me lembrar do óleo, coloco caprichada meia xícara por cima dos milhozinhos. Acho que xícara inteira é demais.

Eu tenho uma boa mão. É o que dizem meus amigos da roda de pôquer.

Resolvo deixar o sal para depois.

Orgulhoso das idéias, grampeio o saco de papel por três vezes.

Apressadamente coloco no microondas, afinal a banca da pia tem óleo demais para o meu gosto. Aproveito para secar o caminho de óleo entre a bancada e o forno.

Ansioso, nem espero a namorada chegar nem o filme começar. Aperto a tecla PIPOCA e providencio uma bebida. Vinho!

Vinho é bom para namorar...

O ruído do forno está diferente!

Espio pela janelinha e vejo que o saco estourou. Abro a porta imediatamente a tempo de levar uma pipoca na testa.

Toca o interfone. A namorada vai subir.

Ela chega e eu, cheio de brios, ofereço vinho e um pão com goiabada.

07 dezembro 2008

Três séculos depois


Cyfa, o habitante de Procyon, se aproxima velozmente do planeta Terra. O painel exibe uma brilhante esfera azul. O explorador galáctico enxerga uma bola de fumaça negra. Diminui a velocidade e consulta os instrumentos de navegação. Tudo confere. As coordenadas estão corretas. É o terceiro planeta mais próximo da pequena estrela denominada Sol. Não há dúvida: a localização do astro está exata. A cor é que difere dos registros.
Seguindo as instruções para averiguação das sucessivas explosões, permanece a uma distância relativamente segura na órbita do satélite natural.
O viajante Cyfa Luc é enorme. Com dois quilômetros de comprimento, ele é gigante para os padrões humanos. A nave espacial é a própria roupa acrescida de um pequeno laboratório preso ao corpo.
Independentemente de a veste ser muito resistente, Cyfa está preocupado com a grande quantidade de lixo que passa zunindo e suja o espaço. Abre uma sacola e recolhe os detritos que encontra.
Não há tempo a perder. Ainda há outros astros a conferir. O cientista lança alguns raios cibernéticos em direção à esfera opaca e, na velocidade da luz, é informado de que a composição dos gases da superfície sofreu mudanças. O monóxido de carbono passou a ser predominante. O odorímetro acusa a presença forte de enxofre. Agora a metade da superfície do astro é de água salgada e outra metade, sólida, é de um composto plástico derivado do petróleo. A temperatura aumentou significativamente desde a última medição. Os instrumentos também indicam que não há mais estranhos seres viventes.
Recolhe mais um minúsculo objeto voador abandonado à própria sorte. É uma garrafa de vidro verde que contém, em seu interior, um papel manuscrito.
Cyfa retira a rolha, desenrola o papel amarelado e reconhece a letra do seu antigo colega que estivera na Terra, 300 anos antes.

Ouvi um sabiá enamorado.
Aspirei o perfume do jasmim.
Chupei uma jabuticaba doce.
Deixei a areia escorrer sobre a pele.
Enxerguei um arco-íris sobre a cachoeira.

O planeta é maravilhoso.

Conheci crianças.
Ingênuas, curiosas, meigas. Ávidas por amigos.

Conversei com adolescentes.
Convictos, ousados, egoístas. Ávidos por vitórias.

Sondei adultos.
Gananciosos, gulosos, mentirosos. Ávidos por poder.

Cuidado! Humanos são venenosos.
 
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