16 janeiro 2018

Ovo frito



Conforme havia escrito, o assunto sobre a preparação de ovos é por demais extenso. Assim, neste capítulo, vou expor a fritura dos ovos. Muito marmanjo pensa tratar-se de sentar pelado numa chapa quente. Não, não é nada disso.

Um japonês entra numa loja de lingerie do shopping e pergunta à vendedora se ela tem sutiã.

A balconista pergunta qual o número desejado. O oriental responde que não sabe o número usado pela esposa. A moça, para auxiliar, pergunta se os seios dela teriam o tamanho de dois melões. O comprador retruca que são menores. Ela volta a perguntar se os seios dela teriam o tamanho de duas laranjas. E o comprador torna a responder que são menores. A vendedora então pergunta se os seios teriam o tamanho de dois ovos. O japonês responde feliz que sim, dois ovos fritos.

Esta pequena história é apenas para ilustrar e reavivar a memória, uma vez que esta receita não é acompanhada de fotografias coloridas.

Pensei em começar a receita dizendo que não se fazem omeletes sem quebrar os ovos, mas a receita é sobre ovos fritos, então não cabe o dito popular.

Este é um dos meus pratos prediletos. Preparo e saboreio ovos fritos desde a adolescência. Esta é uma receita testada e retestada em que não existe o menor perigo de erro. Agora que passei dos cinquenta, posso afirmar que sou expert na arte de fritar ovos.

Em uma frigideira pré-aquecida coloco quatro fatias de beicon. Quando ameaçarem ficar crocantes, adiciono duas colheres caprichadas de manteiga e espero até que derreta e doure. Coloco dois ovos, preferencialmente caipiras, acrescento uma pitada de sal e um pouco de pimenta-do-reino em . Fecho com uma tampa, para não engordurar o fogão.

Agora basta esperar uns três minutinhos e terei os mais deliciosos e apetitosos ovos fritos da face da terra. Separo um pão francês ou então uma porção de arroz para pousar a fritura. Enxugo a saliva que está correndo pelo canto da boca.

Abro a tampa.

Aargh! Socorro! Fritei ovos e o que aparece?

Colesterol! HDL! LDL! Triglicerídeos!




Escrito para “Pepino e farofa”, época em que os ovos ainda eram um terror, os vilões, do colesterol da humanidade. 
Ah, - o livro não tem imagens , mas o blog pode ter.

02 janeiro 2018

Curioso para saber o que os astros revelam sobre 2018?
Aqui você encontra as principais revelações independentemente do signo.




ESPORTE — A Itália não será campeã na copa do mundo da Rússia.

MÚSICA — Mesmo com algodão nos dois ouvidos, ouvirá Anitta rebolando canções medíocres.

JUSTIÇA — Ministros do Supremo Tribunal Federal, contrariando a Lava Jato e brasileiros continuarão a soltar puns.

GOVERNO — Como prova de que a inflação foi contida a propaganda do governo federal mostrará que cem centímetros ainda são um metro.

PUBLICIDADE — Como prova de que a inflação foi contida a propaganda do governo federal mostrará que cem centímetros ainda são um metro.

DINHEIRO — A grana recebida na megassena acumulada será insuficiente para compra uma coca quente e sem gás.

SAÚDE — Suas unhas vão crescer mais de 5 cm se você não cortá-las.

CIÊNCIA — Escavações nos baixos das ilhas de Sodoma & Gomorra revelam primeiro esqueleto de dinossauro com ereção peniana.

INTERNACIONAL — O Grande Topete e Little Rocket Man se defrontarão num duelo atômico para ver quem pisca primeiro.


ALIMENTAÇÃO — Nada, nenhuma reza, feitiço ou mandinga impedirá que lambuze sua camisa ou blusa com molho de espaguete ao sugo.

19 dezembro 2017

A crista de festa


Nas minhas caminhadas candangas encontrei objetos e pessoas improváveis: lâmpada mágica, pegada de onça, tênis tarado, girafa barulhenta, cartomante, vendedor de mapas, velha incendiária.

Hoje, dia chuvoso, quase chutei uma crista de festa. Causou-me curiosidade. Parei, retornei e me abaixei. Tomei-a em minhas mãos. Li uma palavra francesa antes de levá-la ao nariz. O cheiro espumava festa.

Envolvo a rolha do champanhe com as duas mãos para que saiba que percebo o seu poder secular.

Revela que propiciou brindes de marechais de campo após vitórias nas batalhas de baionetas. Incentivou condes a dançar valsas com plebeias. Coroou príncipes transformando-os em reis.

Aliso-a com suavidade. Trago-a mais perto do peito.

— O que dizes?

Com voz de uva espremida responde ser de safra recente. Não frequentou castelos nem palacetes. Não preciso empolar a linguagem. Vaidosa, confessa que ama ser o êxtase das comemorações.

Celebra casamento, sobe ao alto do pódio, junto com uma vela vê casal se beijar e os une ao prazer. Abre caminho para as bolhas explodirem sorrisos. Também inaugura fábricas, batiza navios e crianças. Diploma advogados e médicos. Consagra conquistas, mas embriaga quem abusa dela.

Olhei em volta. Não há nenhuma casa ou prédio próximo. Meus conhecimentos de balística deduzem que ela não saltou de nenhuma janela libertando alegria.

Continuo a caminhar. Ela sussurra dizendo-se talismã que escapou de bolso desleixado.


Convicta diz que odeia clausura. Até consegui fugir de gaiola de aço no topo da garrafa. Gosta de festa. Jamais serão capazes recolocá-la na garrafa.

12 dezembro 2017

Babaca do Eixão


Quando se vai criar uma história, o mais difícil é encontrar o tema, o mote ou a inspiração para desenvolver a escrita. Depois do mote definido, a criatividade se faz presente.
Imagine você declarar que sabe falar grego. Logo surge o pedido.
­                — Que legal! Fale uma frase!
Aí, você empaca sem saber o que dizer. Seria mais fácil se pedissem: traduza para mim.
Pois bem, eu vinha caminhando no Eixão, como todos os domingos, com o celular na mão gravando diálogos possíveis para uma oficina de escrita que, em casa, transcreveria no computador.
No meio do meu blablablá solitário fui alcançado por um sujeito barbudo que me encarou de supetão:
— Estou seguindo o senhor há mais de cinco minutos. Ouvi o senhor didático, depois tenro e doce. Subitamente alterou a voz para bravo. Gesticulando como se espantasse mosquitos. Agora que se acalmou novamente, tomei a liberdade de abordá-lo. O senhor é peripatético?
Fiquei sem saber se também o ofendia, se saía logo no tapa ou ficava na minha para saber qual era a do cara.
Caprichei um olhar enfastiado.
— Você me desconcentrou! Perdi a minha linha de raciocínio!
O cara pediu desculpas e apressou o passo.
Irritado, o pensamento mudou de rumo. Desliguei o gravador.
O sujeitinho nem me conhece e me chama de pateta da periferia! De idiota da região! De palerma do pedaço! De bobo do trecho! Falta de respeito! Ele deve ser parlamentar. Usa um pronome de tratamento respeitoso e em seguida xinga com palavras de dicionário sem saber o significado.
Consigo imaginá-lo na tribuna da Câmara dos Deputados, apontando o indicador para um colega.
— Vossa Excelência é um bordalenga apandilhado.
Fiquei indignado. Possesso! Perdi o prazer da caminhada. Precisei de um calmante e um dicionário.
Em casa, enquanto engolia o Lexotan, consultava o Aurélio:
“Peripatético: discípulos de Aristóteles. Em razão do hábito do filósofo de ensinar ao ar livre, caminhando enquanto lia e dava preleções.”
De imediato, a tentativa de diálogo e a imagem do barbudo intrometido modificaram-se na minha mente.
— O senhor é peripatético?
— Peripatético é sua mãe.

— Não. Peripatético é o mote que o senhor precisava para escrever sua crônica.

05 dezembro 2017

Monotonia


Durante um bate-papo com um amigo, piloto de asa-delta, em determinada hora afirmou.
— Caminhar é monótono.
Advogando em causa em causa própria respondi que monótono é estar a um quilômetro de altura sem estar inserido no cenário. Vê-se tudo pequenininho. Nem com binóculos percebe-se os detalhes que tornam a vida exuberante.
Foi com esse pensamento que iniciei a minha caminhada dominical no Eixão – uma enorme pista de alta velocidade que uma vez por semana ao se transformar em Eixão do Lazer recebe caminhantes, corredores, skatistas, ciclistas e todos que se propõem a acelerar o coração.
— Será que é monótono observar as pessoas?
Não creio. Tanto que, naquela manhã sem sombras, notei que muitos usavam bonés, chapéus e viseiras. Alguns poucos com óculos escuros como se fossem estrelas hollywoodianas fingindo se esconder.
Comecei a me divertir ao questionar as roupas dos atletas de fim de semana. Um senhorzinho de um metro e sessenta passou correndo por mim com camiseta e calção cor de laranja fosforescentes como os tênis. As meias brancas iam até o joelho e nas costas saltitava uma mochila azul celeste.
Em seguida fui ultrapassado por uma mocinha que balançava provocante rabinho de cavalo enquanto no sentido oposto vinha um judeu com uma bermuda tão justa que percebi ser circuncisado.
Observei e analisei uma revoada de pessoas. Quando me perguntava qual seria o coletivo correto para esportistas, alcancei uma senhora de porte elegante com um acompanhante nu em pelo. As minhas luzes de alerta piscaram vermelho. Fixei bem o olhar e não era roupa cor da pele tampouco usava tênis para se proteger do asfalto. Estava pelado. Total e indubitavelmente nu.
Eu não estava alucinando por excesso de sol. Nem havia sol. Em vez dos óculos escuros sem grau, meus óculos eram os de sempre, com grau: eu via a nudez nitidamente.
Além do estranhamento e perplexidade da ousadia, causou-me estranheza a falta de choque ou mesmo curiosidade e comentários dos passantes. Tudo parecia normal como se o Eixão fosse um tradicional campo de nudismo.
Ouvi o barulho de uma moto. Era um policial montado numa Harley-Davidson. Na mesma hora imaginei que iria prender o maluco por atentado ao pudor. Mas não, nem advertência nem olhar. Para novo espanto, passou reto como se nada houvera.
Pensei que Brasília, afinal, tornara-se uma cidade cosmopolita como Londres ou Nova Iorque onde cidadãos de cabelos lilás com corte moicano passam despercebidos na multidão.
— Como sou tolo! Não é nada disso. Certamente é o inverso da história da “Roupa nova do rei” de Andersen. Lá todos elogiavam a magnífica roupa real de sedas e veludos. Apenas um meninote se atreveu a gritar “o rei está nu”. Aqui é o oposto. Todos estamos pelados e apenas eu que enxergo roupas nas pessoas.
Olho novamente para a dupla.
Mesmo de costas para mim, eu enxergava o porte elegante e vestido da moça enquanto o companheiro balançava a genitália desavergonhada entre as pernas. Um horror!
Apressei o passo para encarar e desaprovar a figura atrevida.
Ele respondeu com um latido nada monótono. 

21 novembro 2017

O QUE ELES NÃO DISSERAM

Quando eu finalizava meu livro Pepino e farofa – aventuras culinárias resultantes de 50 anos de inexperiência culinária – pesquisei inúmeros versos de livros e observei que continham frases elogiosas publicadas por grandes jornais ou ditas por pessoas famosas ou destacados autores literários.
— O que fazer?
Como anônimo, usei a criatividade e inseri frases de famosos com o título

O QUE ELES NÃO DISSERAM
Carlos Drumonnd de Andrade – No meio de Pepino e farofa havia inteligência. Havia Inteligência no meio de Pepino e farofa.
Napoleão Bonaparte – Do alto de Pepino e farofa 50 anos de inexperiência culinária vos contemplam.
Ernesto Che Guevara – Hay que ler Pepino e farofa, pero sin perder la ternura jamás.
Dorival CaymmiQuem não gosta de Pepino e farofa, bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou totalmente lelé.
Antoine de Saint-Exupéry Pepino e farofa é eternamente responsável por aquilo que cativa.
William Shakespeare – Há muito mais coisas em Pepino e farofa do que pode sonhar tua vã filosofia.
Cristóvão Colombo e Pedro Álvares CabralHumor à vista.
Neil Armstrong Um pequeno livro para o homem, um grande livro para a humanidade.
Charles de GaullePepino e farofa não é um livro sério.
Jânio Quadros – Li-lo porque qui-lo.
Esfinge – Leia Pepino e farofa ou te devoro.

Bônus:
Frases que não couberam no verso do livro que inicialmente se chamaria Aventuras Culinárias:

Dom Pedro de Alcântara - Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que leiam Aventuras Culinárias.
Frederick Taylor - O livro certo, no lugar certo e na hora certa.
Vinícius de MoraisOlha que coisa mais linda, mais cheia de graça é Aventuras que vem e estilhaça no doce balanço caminho do lar.
Chico Buarque de Holanda- Estava à toa na vida, o meu amor me chamou pra ler  Aventuras contando coisas de humor.

Pepino e farofa — R$ 30,00 , inclui dedicatória e postagem nacional.

Contato por e-mail r-klotz@uol.com.br ou inbox no Facebook

14 novembro 2017

Guarujá revisitada



Voltei à Enseada depois de 44 anos. Mudou tudo. Não pertenço mais àquele lugar. Continua linda, mas é outra.

Antes de ir, visitei pelo Google maps todos os cantos da minha memória praiana de 1954 a 1972.

Emotivo que sou, chorei de montão ao recordar. Futebol na praia. Esqui. Jacaré. Guerra de areia. Nadar até o Samambaia. Sinuca. Primos, vizinhos, paqueras. Sorvetes. Johnny Rivers. Dançar coladinho. Liberdade.

As imagens da Internet e o espelho comprovaram que o tempo passou.

 Quando pisei naquela praia, não nos emocionamos, ela não me reconheceu.

Só mais tarde, deitado na areia, de olhos fechados ouvi o mar conversando comigo. Nós nos reconhecemos. Aí sim, nos abraçamos com força.




 
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